Ontem, 27, por ocasião do encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, tivemos um espetáculo deprimente no Congresso Nacional. Durante os trabalhos de leitura do relatório, o deputado federal Alfredo Gaspar foi violentamente atacado em sua honra, reproduzindo-se aqui um modus operandi recorrentes de bandidos, ou seja, tentar desacreditar ou descredenciar seus opositores através desses expedientes espúrios. Até o final dos trabalhos, toda a farsa da acusação havia sido desmascarada, com depoimento da suposta vítima. Alfredo Gaspar paga o ônus pesado de não se corromper e denunciar esquemas de desvios de condutas de agentes públicos e privados. Um ônus que se torna ainda mais pesado num país com as nossas características, onde a corrupção é endêmica.
Queremos aqui elogiar senhor Alfredo Gaspar, que cumpriu com honradez o seu trabalho, indicando os procedimentos que deveriam ser adotados contra todos os envolvidos nos desmandos do maior escândalo de desvios de recursos públicos de um sistema previdenciário no mundo. O Brasil sempre bate esses recordes. Estima-se que a Lava Jato tenha superada a Operação Mãos Limpas, na Itália, contra a máfia. Coroando um rito de impunidades, no final dos trabalhos, o relatório foi rejeitado, um fim melancólico para uma das comissões mais produtivas e eficazes no combate à corrupção no país, principalmente quando se leva em consideração o perfil dos atingidos, pessoas carentes, indefesas, submetidas a todo tipo de achaques no final de suas vidas. Relatório robusto, mais de 4 mil páginas, elaborado com rigor técnico, à altura de um cidadão na condição de promotor público, com um lastro respeitável no enfrentamento à corrupção no seu estado, Alagoas.
A CPMI do INSS, à medida em que avançava nas investigações, apontando gatunos de alto coturno, passou a sofrer uma série de assédios institucionais que culminaram no seu esvaziamento. As investigações envolvendo os empréstimos consignados fraudulentos perpetrados por instituições bancárias foi o limite, sobretudo por atingir algo que respinga sobre uma das vértices mais importantes do sistema apodrecido. Até recentemente a Polícia Federal fez operação contra um outro banco que opera quase nos mesmos moldes do Master, inclusive com a cooptação de agentes públicos. Agora é torcer que a Polícia Federal reúna as condições institucionais suficientes para dá prosseguimento ao seu trabalho sobre as fraudes ocorridas no INSS.

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