pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: Golpe baixo na CPMI do INSS
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sábado, 28 de março de 2026

Editorial: Golpe baixo na CPMI do INSS


Ontem, 27, por ocasião do encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, tivemos um espetáculo deprimente no Congresso Nacional. Durante os trabalhos de leitura do relatório, o deputado federal Alfredo Gaspar foi violentamente atacado em sua honra, reproduzindo-se aqui um modus operandi recorrentes de bandidos, ou seja, tentar desacreditar ou descredenciar seus opositores através desses expedientes espúrios. Até o final dos trabalhos, toda a farsa da acusação havia sido desmascarada, com depoimento da suposta vítima. Alfredo Gaspar paga o ônus pesado de não se corromper e denunciar esquemas de desvios de condutas de agentes públicos e privados. Um ônus que se torna ainda mais pesado num país com as nossas características, onde a corrupção é endêmica. 

Queremos aqui elogiar senhor Alfredo Gaspar, que cumpriu com honradez o seu trabalho, indicando os procedimentos que deveriam ser adotados contra todos os envolvidos nos desmandos do maior escândalo de desvios de recursos públicos de um sistema previdenciário no mundo. O Brasil sempre bate esses recordes. Estima-se que a Lava Jato tenha superada a Operação Mãos Limpas, na Itália, contra a máfia. Coroando um rito de impunidades, no final dos trabalhos, o relatório foi rejeitado, um fim melancólico para uma das comissões mais produtivas e eficazes no combate à corrupção no país, principalmente quando se leva em consideração o perfil dos  atingidos,  pessoas carentes, indefesas, submetidas a todo tipo de achaques no final de suas vidas. Relatório robusto, mais de 4 mil páginas, elaborado com rigor técnico, à altura de um cidadão na condição de promotor público, com um lastro respeitável no enfrentamento à corrupção no seu estado, Alagoas.  

A CPMI do INSS, à medida em que avançava nas investigações, apontando gatunos de alto coturno, passou a sofrer uma série de assédios institucionais que culminaram no seu esvaziamento. As investigações envolvendo os empréstimos consignados fraudulentos perpetrados por instituições bancárias foi o limite, sobretudo por atingir algo que respinga sobre uma das vértices mais importantes do sistema apodrecido. Até recentemente a Polícia Federal fez operação contra um outro banco que opera quase nos mesmos moldes do Master, inclusive com a cooptação de agentes públicos. Agora é torcer que a Polícia Federal reúna as condições institucionais suficientes para dá prosseguimento ao seu trabalho sobre as fraudes ocorridas no INSS.  

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