Costumamos afirmar por aqui que o deputado federal Eduardo da Fonte foi o único que resistiu ao processo de "eduardolização" da política pernambucana. Corre numa raia própria, criou as condições políticas que lhes permite a independência necessária para se posicionar quando considerar ser o momento certo. Principalmente com a homologação da União Progressista, sendo ele indicado o mandachuva da federação, sua força política pode desequilibrar o jogo eleitoral no estado. Ele é candidatíssimo ao Senado Federal e se movimenta como tal desde algum tempo. Até recentemente, em razão de rusgas com o Palácio do Campo das Princesas, seu grupo perdeu os cargos que ocupava na burocracia do Estado, segundo dizem, entregues a um dos possíveis nomes que concorrem ao Senado na chapa da governadora, Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina.
No estado, os partidos que deverão compor a futura federação, como se sabe, estão completamente cindidos. O União Brasil se aproximou da governadora Raquel Lyra, enquanto o PP anda indeciso. Esses movimentos na políticos pernambucana produziram uma situação onde tudo se tornou possível. As especulações são de toda ordem. Fala-se no apoio do PT ao projeto de reeleição de Raquel Lyra, mudando completamente a composição possível da chapa do Palácio do Campo das Princesas; um eventual acordo do grupo de Eduardo da Fonte com a governadora Raquel Lyra, uma vez que seus partidários esboçam, majoritariamente, esta tendência; Eduardo da Fonte como candidato ao Senado Federal, uma vez que o martelo ainda não foi definitivamente batido em nenhum dos palácios. As possibilidades são tantas que o jogo parece ter zerado.
Ontem saiu uma lista com 27 nomes de candidatos ao Senado Federal que o PT deve apoiar nas eleições de 2026. O nome de Marília Arraes não estava na lista divulgada pelo site Metrópoles. Alguma interferência do PT local? da Casa Civil, de Rui Costa, que manteve um diálogo com a governadora Raquel Lyra, logo após o anúncio da chapa de João Campos? Não se sabe. Rui Costa sempre considerou Raquel uma aliada do Planalto. Diante de tantas especulações, ontem um blog local divulgou um suposto encontro entre o deputado federal Eduardo da Fonte com o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral. O encontro, segundo o blog, teria durado horas. Em tese, não há nenhuma surpresa aqui. Eduardo da Fonte faz política 24 horas do dia. O curioso, meus caros leitores, é que Lula Cabral teria ajustado com o prefeito João Campos ser o homem responsável por sua campanha na Região Metropolitana do Recife, um dos gargalos da governadora, principalmente em razão da penetração de João Campos, aliada aos problemas de segurança pública. Em Pernambuco já se fala em territórios controlados por facções e milícias.

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