pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: os tempos do PT
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sábado, 21 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: os tempos do PT



Algo sugere que a chapa montada pelo prefeito João Campos para disputar o Palácio do Campo das Princesas, nas eleições de 2026, não estaria definitivamente fechada. O gestor municipal, que deve liderar a Frente Popular, aguarda o tempo do PT. A expressão tempo do PT é emblemática e até certo ponto utilizada equivocadamente. Se estivéssemos noutros tempos, ela até faria sentido. Hoje, nem tanto. Não estamos falando daqueles tempos da pungência das alas orgânicas da legenda; dos exemplos inquestionáveis de exercício da democracia interna; do tempo em que seus líderes se reuniam no Sindicato das Empregadas Domésticas; do tempo em que a legenda expulsou dos seus quadros um candidato que havia presenteado um cabo eleitoral com um jerico para ele se deslocar pelo interior do estado. Fora acusado de "abuso" de poder econômico. 

Hoje, a expressão, todo mundo sabe, não se trata apenas de um tempo dado às tomadas de decisões ou deliberações das instâncias de decisão da agremiação aqui no estado. O que está em jogo é outra coisa. Ala do partido é favorável a uma aliança com a governadora Raquel Lyra e outra ala, embora fechada com o projeto de João Campos, não aceita a indicação do nome de Marília Arraes como candidata ao Senado na chapa encabeçada por João Campos. A primeira ala é até mais contemporizadora. Não faz muito tempo, embora afirmando que a governadora Raquel Lyra deve vencer as eleições de outubro, um deputado estadual do PT afirmou estar convencido de que o partido apoiaria oficialmente o nome de João Campos. Esta segunda ala vê riscos à reeleição do senador Humberto Costa, com Marília no mesmo campo. 

Ainda calouro na Ciência Política, observávamos que existiam muitas hipóteses acerca das indisposições entre os ex-governadores Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos. Várias possibilidades eram aventadas, mas, num final de tarde, até sem grandes compromissos, resolvemos assistir a uma palestra de um professor que havia produzido um texto sobre a geografia do voto aqui no estado. No final, respondendo a uma indagação nossa, ele afirmou que essa briga seria "inevitável". Os dois políticos disputavam voto no mesmo reduto eleitoral. Ou seja, bebiam na mesma fonte. Essa era a  verdadeira raiz do problema. O resto era acessórios. A leitura que setores do PT faz acerca das primeiras pesquisas de intenção de voto já divulgadas é que o eleitorado pernambucano tende a votar num candidato mais à esquerda do espectro político e num nome de perfil mais conservador. 

Neste sentido, Marília Arraes poderia tirar votos do senador Humberto Costa. Marília já estaria com tendência a se consolidar como este nome do espectro de esquerda. Como teremos uma penca de nomes de perfil mais ao centro ou à direita do espectro político, um deles poderia angariar a simpatia do eleitorado e ser eleito. Nem mesmo uma candidatura avulsa de Marília Arraes foi bem aceita por esta ala da legenda. Há, naturalmente, outras motivações, mas não compete entrarmos no mérito para não animar as discórdias. Este, na realidade, é o verdadeiro "tempo" do PT. Outro fato que deve ser aqui considerado são as articulações entre o PT e o deputado estadual Eduardo da Fonte, que, segundo Ciro Nogueira, é o principal comandante da federação União Progressista no Estado. 

Sugere-se que as negociações entre a ala dirigente do PT e o grupo de Eduardo da Fonte estavam num estágio bastante avançado. Eduardo da Fonte, inclusive, chegou a ser anunciado como concorrente ao Senado Federal, ao lado de Humberto Costa. Não sei se vocês observaram, Eduardo da Fonte está tranquilo. Tranquilo demais, em meio ao tsunami que tomou conta da política pernambucana. Eduardo da Fonte, como se observa, atendia à estratégia pensada pelo PT. A eleição para o Senado Federal neste ano é algo sensivelmente delicado. Há análises, inclusive, indicando que a tese da mudança na Casa Alta, tornando-a capaz de corrigir alguns equívocos nos outros Poderes da República, possam estimular o eleitorado, predisposto a ver essas mudanças ocorrerem, a sufragarem nomes com tal perfil e compromisso. É muita blindagem. Já passou dos limites. 

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