A esta altura do campeonato político, o caldeirão está em ponto de fervura. Ciro Gomes lidera no Ceará, de acordo com o Instituto Datafolha, fragilizando as pretensões de Elmano de Freitas em continuar no Palácio da Abolição; o ex-presidente Jair Bolsonaro, em razão dos sérios problemas de saúde, pode progredir para o regime de prisão domiciliar, conforme recomenda a própria PGR; Ratinho Jr, que despontava com o nome do PSD para disputar a Presidência da República, decide que vai continuar no Palácio do Iguaçu, abrindo uma avenida de possibilidades de crescimento do nome do governador Ronaldo Caiado, ancorado no agronegócio e nas políticas de enfrentamento às facções; renúncia do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, um pouco antes de uma cassação quase certa. Mas, a notícia mais importante da semana, pelo o que ela representa de lampejo republicano e espírito público, é mesmo a decisão do Ministro André Mendonça em acatar o mandado de segurança impetrado pelos membros daquela comissão, determinado que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, prorrogue os trabalhos da CPMI do INSS por mais 120 dias.
A decisão foi bastante comemorada pela oposição, mas representa, na realidade um anseio de milhares cidadãs e cidadãos brasileiros que foram lesados por gatunos do erário, retirando bilhões indevidos de suas aposentadorias. A CPMI nesta fase, inclusive, está entrando no famigerado empréstimo consignado, onde já se sabe que muitos velhinhos foram roubados de dentro para fora, parafraseando o nosso saudoso Millôr Fernandes. O senador Carlos Viana afirmou que deverá conversar os integrantes da CPMI para uma definição de mais dois meses em relação aos trabalhos. A decisão de André Mendonça é, de alguma forma, o reconhecimento do trabalho sério que vem sendo conduzido por aquela comissão, agindo em conjunto com a Polícia Federal e com o próprio STF, através do Ministro André Mendonça.
Viana fala em dois meses, mas isso é trabalho para uns dez anos, conforme enfatiza Alfredo Gaspar. Há de se considerar, inclusive, as propostas de delação premiada que estão sendo analisadas neste momento. Os graúdos estão querendo delatar. Outra determinação importante do Ministro André Mendonça diz respeito aos leilões dos carrões apreendidos durante as operações da Polícia Federal. Isso é um rolo danado, uma vez que essas quadrilhas agiam em "família", representando uma dor de cabeça para os filhos e esposas dos implicados. Preocupa sensivelmente ao senhor Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como "o careca do INSS" a prisão do seu filho. Este seria o motivo que estaria estimulando-o a entrar num programa de delação premiada.

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