A decisão sobre a concessão do pedido de prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS ficou sob a incumbência do Ministro André Mendonça, do STF. A expectativa é que ele autorize, sobretudo em razão de acompanhar, no STF, na condição de relator, as investigações conduzidas pela CPMI. André Mendonça tem pautado as suas decisões com muita coerência, embasadas juridicamente, dentro de uma diretriz republicana. O Mandado de Segurança impetrado pela CPMI ter recaído nas mãos do ministro André Mendonça trouxe alguma esperança entre os membros daquela comissão, que realiza um excelente trabalho, algo inusitado no contexto do nosso parlamento, hoje tão fragilizado. Ainda no dia de ontem, 17, novas operações da Polícia Federal envolvendo agentes públicos e privados arrolados nos escândalos do roubo bilionário ocorrido no INSS.
No Ceará, uma parlamentar foi obrigada a usar tornozeleira eletrônica. A proposta da PF seria prendê-la, mas o ministro André Mendonça, considerando a sua condição de parlamentar, resolveu atenuar a punição. E por falar em moderação, coerência, equilíbrio, senso de justiça, recomendo aos nossos leitores ouvir a entrevista concedida pelo presidente dos trabalhos da CPMI do INSS, o senador mineiro Carlos Viana. Há três momentos emblemáticos durante a entrevista. Há, de fato, uma blindagem de alguns nomes que poderiam e deveriam prestar grandes esclarecimentos aos trabalhos daquela comissão. Não vamos aqui apontar quem seja os responsáveis por tais blindagens, mas elas são conduzidas, sobretudo, por critérios políticos. Geralmente, o que prevalece nesses casos são os interesses corporativos. O interesse público fica para depois.
Muita gente não queria a instauração da CPMI do INSS, assim como ocorre em relação à CPI do Banco Master. Infelizmente, há de se contar com tais fatores. A situação é tão escandalosa, que algumas pautas talvez só possam ser viabilizadas na próxima legislatura. Quando indagado sobre a questão que envolve o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, Carlos Viana relatou a existência de uma testemunha que assegura haver alguma relação entre Lulinha e o "Careca do INSS", Antônio Carlos Camilo Antunes. Por outro lado, não há nenhuma prova material que comprove que ele recebia a tão propalada mesada de 300 mil por mês. Sobre as restrições de acesso aos arquivos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de posse da CPMI, considerou coerente a medida tomada pelo Ministro André Mendonça.
No final, ele afirmou algo curioso sobre os eventuais diálogos de Vorcaro com eventuais membros da Suprema Corte. O tal telefone é um telefone institucional, de trabalho, portanto. Em tais circunstâncias, aí sim, é que se torna absolutamente necessário algum esclarecimento. O telefone estava cedido a quem? São diálogos cabulosos. Impondo-se que sejam devidamente esclarecidos. Ajuda a liberdade de atuação que membros da Polícia Federal estão tendo neste sentido. Uma senhora detida no dia de ontem, no curso das investigações da PF, havia dado um depoimento evasivo na CPMI do INSS. Adquiriu dois Mustangs no valor de um milhão cada um deles. Salário? R$ 7 mil reais por mês.

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