pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: resiliência de Marília e articulação de Lupi: chapa de João formada.
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quinta-feira, 19 de março de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: resiliência de Marília e articulação de Lupi: chapa de João formada.

Crédito da Foto: Felipe Ribeiro, Folha de Pernambuco. 


Os bastidores da formação de uma chapa para concorrer a uma determinada eleição envolve inúmeros fatores. É uma obra de engenharia política complexa. Nos últimos dias, ocorreram inúmeras especulações acerca da composição da chapa do prefeito João Campos, que deverá disputar o Governo do Estado de Pernambuco, nas eleições de 2026. Alguns nomes, inclusive, chegaram a ser divulgados precipitadamente como os prováveis escolhidos para a composição desta chapa. Logo em seguida, tais informações foram desmentidas ou desautorizadas. Ontem, 18, no entanto, o próprio prefeito João Campos sinalizou qual seria a chapa com a qual pretende disputar o Governo do Estado. Os candidatos ao Senado Federal serão Humberto Costa, que concorre a reeleição, e a ex-deputada Marília Arraes. Para a vice, o empresário Carlos Costa, irmão do Ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, que manteve um longo diálogo com o presidente Lula, hoje, 19, onde ficou determinado que ele será candidato à reeleição. Sílvio sempre afirmou que o seu projeto maior é a reeleição do presidente Lula. Muito fiel e coerente.  

Que arranjos de bastidores chegaram a esta composição? Esta é a grande discussão. Vamos analisá-los, uma vez que toda posição assumida pode trazer reflexos positivos ou negativos ao final do jogo. João Campos já havia, lá atrás, fechado a porteira política do Governo Lula para a sua opositora, Raquel Lyra. Não chega a ser novidade. Raquel tende construir, contingenciada pelas circunstâncias políticas, uma chapa de perfil mais conservador, talvez até mesmo com o apoio de bolsonaristas do estado. No momento, a provável composição envolve o União Brasil, com a indicação do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o PL, que deve indicar Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes. Nada oficial ainda, uma vez se sabe das querelas entre o PP e o União Brasil. É um pé dentro e outro fora. Embora no governo, o PP não deseja caminhar com Raquel Lyra e  os cargos já começaram a serem cobrados. 

O que se diz nos bastidores para acalmar Silvinho, além da vice, claro, é que o arranjo ainda poderia envolver uma eventual contemporização de Sílvio Costa, que é o suplente da senadora Teresa Leitão. Esta hipótese já teria sido aventada num outro momento. A senadora poderia assumir algum cargo num eventual Governo Lula 4, abrindo o espaço para Sílvio assumir sua vaga no Senado Federal. V0ltamos a insistir, são apenas especulações dos bastidores da política. Em ralação a Marília Arraes, muita coisa precisa ser dito. Em princípio, como o projeto maior da família Campos\Arraes seria a conquista do Campo das Princesas, nesta engenharia, ficaria ajustado que Marília disputaria uma vaga na Câmara Federal. Ocorre que, nas pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal, seu nome começou a despontar como uma das principais concorrentes, indicando que o eleitorado do estado desejava vê-la na Casa Alta. 

Durante algum tempo, a questão foi tratada em banho maria, até que tal possibilidade passou a animar a neta do Dr. Miguel Arraes, que decidiu atender a uma demanda do seu eleitorado, dispondo a apresentar o seu nome para um referendo popular. Assumiu afirmando que o seu projeto não teria mais volta. A decisão causou um rebuliço no contexto da formação de ambas as chapas. Dizem até que chegou a ser convidada pela governadora Raquel Lyra, que percebeu as dificuldades de consolidação do nome de Marília na chapa de João Campos. Embora irresoluta, Marília sabia que sua viabilidade política passava, necessariamente, pelo chamado campo progressista, em apoio ao palanque de Lula no estado. Em princípio, o seu eleitorado, majoritariamente, vem deste espectro político. Possivelmente, este eleitorado não responderia da mesma forma se ela fosse acomodada na chapa da governadora Raquel Lyra. Marília deve ter lido o nosso artigo anterior. 

Para ser anunciada na chapa de João, por outro lado, ela deve ter enfrentado resistências, inclusive de parte do PT, a sua banda mais burocrática. O PT de base, mais orgânico, em tese, não teria resistências ao seu nome. Como o partido "oligarquizou-se", a burocracia acaba tomando as resoluções partidárias mais importantes. Pensou-se ate numa candidatura avulsa, mas o próprio PT se colocou contra, alegando que isso poderia diluir os votos e, consequentemente, talvez prejudicar a própria reeleição dos senadores da chapa. Graças a sua resiliência, agora ela está dentro. Há pouco tempo, antes da definição da chapa com o nome de Marília, o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou, categoricamente, que impôs, como condição primária para a formação da aliança do seu partido e os socialistas passava pela consolidação do nome de Marília na Chapa. Disse depois que, de imediato, João rejeitou a proposta,  argumentando os enormes compromissos já assumidos com as forças que gravitavam em torno do gestor. 

A crônica política pernambucana - e até nacional - vem tecendo loas à habilidade política do prefeito João Campos na formação desta chapa. Não vamos colocar água neste vinho, uma vez que o próprio Carlos Lupi, num alusão ao ex-governador Eduardo Campos, fala que os filhotes de onça já nascem com as pintas. Mas é preciso ressalvar aqui a habilidade política do pedetista, sempre modesto, o principal responsável pela costura política que demoveu as resistência do prefeito João Campos. Seu empenho nesta composição passa, igualmente, pela consolidação do PDT no estado, o que talvez se explique pela presença do Ministro da Previdência Social, Volney Queiroz, um ministério da "cota" dos pedetistas. 

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