pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : Editorial: A delação do fim do mundo
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sexta-feira, 20 de março de 2026

Editorial: A delação do fim do mundo



Está tudo acordado para a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Folha de São Paulo, em sua edição de hoje, 20, assegura que o acordo de delação premiada já foi assinado. O fato de Vorcaro ter sido transferido para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, é um forte indicador. O que se diz nas coxias é que ele vai revelar tudo, não esconder nada. Somente assim a delação seria aceita. Vorcaro não tinha outra alternativa. Segundo a coluna Radar, da Veja, assinada por Robson Bonin, mesmo que ele obtivesse algum benefício em relação à prisão neste momento, logo voltaria à cela, dada a robustez de provas encontradas contra ele pela PF. Se especulou, durante alguns momentos, se esta delação não seria uma delação meia boca, ou seja, pouparia algumas autoridades da República. Pelo andar da carruagem política e jurídica, sugere-se que ele vai falar o que sabe sobre os caminhos tortuosos que percorreu nos corredores da Brasília, achacando autoridades, articulando projetos do seu interesse. 

Há mais temores do que expectativas em relação a este assunto, principalmente em função do clima belicoso entre os Três Poderes da República, praticamente às vésperas de uma eleição presidencial. Esta delação poderá produzir reflexos diretos nas próximas eleições. Sabe-se que a teia de articulações obscuras montada atinge agentes públicos praticamente de todas as esferas, alguns deles em plena atividade política e, possivelmente, até candidatos. Este país realmente não pode ser levado a sério. O Ministro André Mendonça, numa medida sensata, determinou o bloqueio ao acesso de dados que estavam numa sala cofre da CPMI do INSS. Dizem que o próprio Vorcaro havia advertido sobre esses dados, onde haveria, possivelmente, vídeos comprometedores de agentes públicos nas festanças promovidas em Trancoso. 

Vamos aguardar a bomba que vem por aí e torcer que haja as condições institucionais suficientes para impor a lei para todos os agentes públicos envolvidos nessa trama macabra que vem abalando os alicerces de nossa frágil república. Mas como este país ainda é um país dos intocáveis - do você sabe com quem está falando, como diria Roberto DaMatta - não é improvável um ajuste aqui e ali para poupar alguns nomes. Cidadão réu confesso, condenado a mais de 400 anos de prisão, anda tomando vinhos caros, comendo filé em sua cobertura, indicando filmes para os seus seguidores e, dizem, ainda pode ser candidato nas próximas eleições.  

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