Gostaríamos primeiro de agradecer aos 13 mil leitores do blog no dia de ontem, 21. Uma pena que as intervenções e comentários desses leitores ainda sejam escassos, mas isso ocorre até entre sites com maior capilaridade do que o nosso. Principalmente no nosso caso, onde, deliberadamente, por razões óbvias, comentamos nas entrelinhas, evitando uma exposição maior num momento tênue de liberdade de expressão. Hoje, por exemplo, aparece uma relação aparentemente de caráter pouco republicana entre um grande conglomerado empresarial e um filho de um político alagoano. Os filhos dessa classe política sempre contam com algum empurraozinho. São sempre pequenos prodígios que enriquecem da noite para o dia. O assunto é matéria do jornal O Estado de São Paulo, do dia de hoje, 22. É curioso este momento. Mesmo diante das adversidades, a grande mídia parece ter acordado da inércia e se dado conta das consequências de alimentar o monstro.
Este grupo empresarial, aliás, está envolvido em quase todos os grandes escândalos de corrupção do país. Do país e até do exterior, para sermos mais precisos. São negócios nebulosos, sempre envolvendo agentes públicos, algo que já estaria exigindo uma investigação séria. Um esquadrinhamento desses mecanismos. Não é mera coincidência. Em pleno ano eleitoral, estamos vivendo um momento que se poderia se chamar de temporada de delações. Salvo melhor juízo, está tudo certo com a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas existe outros implicados no escândalo bilionário do INSS com o mesmo objetivo, a exemplo do Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, Maurício Camisotti, entre outros. É curioso como servidores de alto escalação do INSS se meteram nesta enrascada. Até servidores públicos concursados que tinham, como dever de ofício, impedir que os desvios ocorressem.
Sugere-se que há uma mobilização no sentido de esvaziar os trabalhos das comissões em andamento, assim como impedir que novas comissões sejam criadas. Sentam a bunda nas propostas, impedem oitivas de investigados. As manobras são inúmeras. A CPI do Master, por exemplo, conta com 51 assinaturas de senadores e possivelmente não será apreciada por Davi Alcolumbre. O senador Eduardo Girão, um feroz defensor da criação desta comissão, já perdeu as esperanças de tratá-la pela via do parlamento. Felizmente, em alguns momentos este bloqueio da impunidade é quebrado, como no caso da delação de Daniel Vorcaro. Vai abrir a boca e muitos desses picaretas poderão interromper suas carreiras políticas. Um grupo que entrou na vida pública apenas para se locupletaram. Desprovidos de espírito público.

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