A delação premiada oferecida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não tem chances de prosperar. Trata-se de uma delação, como se diz no popular, do tipo meia-boca, ou seja, inconsistente. A PF é categórica em afirmar que ele sabe muito mais do que está propondo entregar sobre suas transações nebulosas, que já extrapolaram o perfil de um mero escândalo do sistema financeiro. Numa sessão recente do STF, o ministro relator do caso, André Mendonça, que vem realizando um trabalho digno de todo o respeito na condução do processo, declarou já ter recebido propostas indecentes por parte de advogados do ex-banqueiro, que propuseram uma delação "seletiva".
Estima-se que o ex-banqueiro, mesmo diante das circunstâncias sensivelmente adversas, deseja poupar alguns amigos do infortúnio. Quem sabe aquele amigo que aparece com ele sorrindo, durante as férias de inverno na França. Sugere-se que alguns mensaleiros gozavam de sua efetiva amizade. E, por falar em mensaleiros, hoje, 20, o jornal Folha de São Paulo traz uma matéria sobre os infiltrados do ex-banqueiro na Polícia Federal. Salvo melhor juízo, uma delegada e um agente. O jornal faz referência, a partir de informações obtidas junto à própria Polícia Federal, que tal mesada poderia chegar ao montante de R$ 400 mil reis por mês.
O agente infiltrado ficaria encarregado de repassar informações sobre o andamento de investigações sigilosas da corporação ao ex-banqueiro. Um agente da PF começa ganhando aproximadamente R$ 15 mil e pode chegar a R$ 25 mil reais depois de alguns anos na corporação, incorporando ao salário alguns benefícios. Um outro agente, este da Polícia Civil, também infiltrado, num outro caso que não tem relação com este, numa gravação obtida pelos investigadores do caso, aparece tratando o salário recebido como uma "merreca". Merreca diante dessas propostas indecorosas, ofertadas mediante o roubo descarado de pessoas comuns, aposentados, pensionistas. Era isso que estava em jogo.

