O presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana, anunciou a pouco que o banqueiro Daniel Vorcaro está sendo convocado para depor na Comissão. Carlos Viana, assim como o relator daquela comissão, Alfredo Gaspar, estão fazendo a sua parte, de forma correta, republicana, consoante a defesa do interesse público. Louvável o trabalho que está sendo realizado por esta comissão, a despeito das dificuldades que eles enfrentam. Assim que o nome de Daniel Vorcaro foi anunciado, passamos a refletir acerca do aparato jurídico que deve está sendo mobilizado para a blindagem deste cidadão naquela audiência. Na realidade, Daniel Vorcaro deu um nó no sistema. Um nó que, para ser devidamente desatado, muitas cabeças deverão rolar. O enredo é nebuloso.
Em alguns dessas audiências, por incrível que possa parecer, contrariando algumas tendências, mesmo diante de blindagens resistentes, o cidadão resolve abrir a boca. Não acreditamos que seja este o caso. O mais provável é que ocorra mais uma daquelas sessões chatas, com a profusão daquela chavão conhecido: Vou manter o direito de ficar calado. Compensa, nessas ocasiões, o primoroso trabalho da equipe de assessores de Alfredo Gaspar, mostrando as falcatruas atribuídas aos convocados à comissão. Neste caso, como se sabe, após a decretação do sigilo das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o rombo do Master, até isso foi prejudicado. Nesta segunda fase, a CPMI do INSS vai entrar nas apurações relativas aos desvios ocorridos nos famigerados empréstimos consignados.
As ramificações da teia que envolve este cidadão são tão complexas que, salvo melhor juízo, até o senador Alessandro Vieira, relator da comissão do crime organizado, pensa também em convocá-lo. A república encontra em verdadeira ebulição com os fatos que estão sendo revelados por parte da imprensa, uma vez que a outra parte também encontra-se contaminada. Afinal, estamos tratando de uma das vértices do sistema. Enaltecer aqui o trabalho da equipe do site Metrópoles, que realiza um trabalho de verdadeiro jornalismo, capaz de fazer a diferença, incomodando pelas verdades que estão sendo expostas. Eles estão publicando aquilo que alguém quer que não se publique, conforme defendia George Orwell, em sua definição de jornalismo. O resto é propaganda.

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