Os últimos movimentos no tabuleiro da política nacional indicam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não disputará o Palácio do Planalto nas eleições de 2026. Saiu de uma conversa com o capitão Bolsonaro se comprometendo a apoiar o projeto de seu filho, Flávio Bolsonaro, à Presidência da República. Embora bem ranqueado, se considerarmos as últimas pesquisas de intensão de voto - inclusive a publicada no dia de hoje, 29, realizada pelo Paraná Pesquisas - a dívida de gratidão de Tarcísio aos Bolsonaro é grande. Do tipo impagável. Sabe-se que Flávio enfrenta algumas dificuldades, inclusive entre as hostes conservadoras. Até mesmo a de perfil bolsonarista raiz, a exemplo de Valdemar da Costa Neto e Silas Malafaia. Há quem diga que até no seio da família Bolsonaro, a exemplo de Michelle Bolsonaro.
Mas não é só isso. As dissidências bolsonaristas representam setores estratégicos que não se afinam com o projeto do filho do presidente Jair Bolsonaro. A candidatura de Tarcísio de Freitas, por outro lado, já havia sido "verificada" pela Faria Lima. Trata-se um projeto bem mais consolidado do que o de Flávio. Ou tratava-se. Com a sua possível desistência, incorremos na possibilidade de migração desses setores resistentes para um outro nome do campo, catalizador dessas reticências ao nome de Flávio. O crescimento de Ratinho Junior tem algo a ver com isso. Sempre um passo à frente, Kassab apresenta não uma, mas três opções. Centro, direita e centro-direita, se preferirem. À exceção de São Paulo, uma vez que Tarcísio já afirma ser candidato à reeleição e credita o apoio ao projeto de Flávio, os arranjos regionais podem trazer grandes dores de cabeça ao Flávio Bolsonaro. Santa Caarina pode ser apenas a ponta do iceberg. Mas isso já é assunto para um outro momento.
Numa declaração recente, Kassab chegou a afirmar que Tarcísio precisaria construir uma identidade própria - ou fortalecê-la - numa clara alusão à sua dependência do bolsonarismo. Vamos aguardar que até 2030 Tarcísio se torne menos dependente do bolsonarismo. Diante desses fatos novos, sabe-se lá como o Planalto irá se arranjar para a disputa em São Paulo. A reeleição de Tarcísio de Freitas são favas contadas. No maior colégio eleitoral do país, o PT precisa amealhar o montante de votos suficientes para equilibrar o jogo no plano nacional. Sem isso não chega, principalmente diante das dificuldades em seus redutos tradicionais, a exemplo do Nordeste.

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