Sobretudo nesses tempos bicudos, caracterizados pela pós-verdade, onde narrativas mentirosas podem ser consolidadas como verdades absolutas, convém tomar muito cuidado com as informações que estão circulando. Logo após o episódio do sequestro do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, através de uma operação realizada por forças especiais do Exército dos Estados Unidos, segundo dizem, Lula andou consultado seus assessores militares acerca da eventualidade de uma operação semelhante no país. A questão era saber se os Estados Unidos poderiam realizar uma operação daquele porte em território brasileiro. Não temos certeza sobre essa informação, daí aconselharmos a prudência necessária em torno do assunto.
Também não se sabe o que os assessores militares poderiam ter respondido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Concretamente falando, o que se sabe é que o ex-presidente da Venezuela montou em torno de si um aparato de segurança considerado inviolável, antes das ações da Delta Force. Havia agentes de segurança cubanos - dezenas foram mortos na operação - e, de há muito, a Venezuela exibia parceria com países como Rússia e China, inclusive com aquisição de equipamentos e assessoria militar. Quando se considerou uma eventualidade de uma incursão militar da Venezuela em Essequibo, uma das preocupações naquele momento era uma comparação entre as forças de defesa daquele país e as nossas, uma vez que suas tropas teriam que passar por território brasileiro.
Militarmente, em razão dos fortes investimentos, a Venezuela hoje disporia de equipamentos militares melhores do que o Brasil. A rigor, a preocupação com investimentos militares nunca foi uma prioridade no Brasil. Nem quando o Brasil viveu sob o regime militar. As especulações sobre uma bomba atômica acabaram com uma pá de cal jogada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. A experiência com a Base Militar de Lançamento de Foguetes de Alcântara acabaram com a morte dos nossos melhores cérebros na área da Física, num episódio cuja causa se especula até hoje. Os quilombolas locais alegam que houve profanação aos mortos, uma vez que a base foi construída sobre os escombros de um antigo cemitério. Será?
Ontem, pela primeira vez, ouvimos um pronunciamento do presidente Lula sobre a necessidade de reequipar nossas Forças Armadas. Vejam que Lula já está partindo para o quarto mandato e nunca levou essa questão tão a sério como agora, argumentando sobre a necessidade de proteger nossa soberania e nossas riquezas contra a sanha dos malucos externos. Até recentemente, o Ministro da Defesa, o pernambucano José Múcio Monteiro, fez um périplo pelo Legislativo explicando a necessidade de um maior aporte de verbas para a defesa. Dialogando constantemente com os comandantes militares, Múcio deve ter a dimensão exata desse problema. Há dificuldades até de se manter os insumos.

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