Recentemente ocorreu no Rio Grande do Sul o Compol ( Congresso de Comunicação Política e Institucional), com a presença dos grandes nomes da comunicação política no Brasil, entre eles o marqueteiro João Santana, que já foi o responsável por campanhas de Lula e Dilma Rousseff, hoje o responsável pela campanha de ACM Neto, na Bahia, com chances de derrotar o PT na chamada República do Acarajé. Da fala de um profissional com um currículo tão expressivo, pode-se extrair muita coisa, mas chama a nossa atenção - e possivelmente chamou a atenção dos presentes ao evento - o que João classifica como uma grande miragem ou ilusão dos analistas políticos brasileiros, sempre batendo nesta tecla gasta da polarização ideológica.
Para João, há, no universo de eleitores brasileiros, uma espécie de centrão sociológico - por favor não confundam com o Centrão de Brasília - que é quem na verdade define as eleições no país. Trata-se de um grupo não orientado ideologicamente, que pode defender pautas aparentemente contraditórias, consoante interesses corporativos específicos. O cara pode votar no PT, por exemplo, para preservar o SUS, embora se identifique com medidas duras contra o crime organizado. Ou seja, um candidato como Flávio pode acenar para este enfrentamento de forma mais contundente, mas este mesmo eleitor pode se preocupar com a tendência dos bolsonaristas em mexer na estrutura pública do SUS.
O que vai definir o voto desse eleitorado determinante são essas variáveis, onde, possivelmente, o homem de marketing político, através das pesquisas qualitativas, poderia identificar. Isso nos fez lembrar de estudos interessantíssimos realizados pelo cientista político polonês, Adam Przeworski, quando este procede estudos importantes sobre o que determina o voto do eleitor. Ele menciona alguns exemplos interessantíssimos, como de um cidadão evangélico, casado com uma micro empreendedora, com um filho gay, que terminou a faculdade recentemente, mas não encontra oportunidade de inserção no mercado de trabalho. O que vai determinar o voto deste cidadão? Suas crenças religiosas, um aceno de micro-crédito para a esposa? Uma oportunidade de trabalho para o filho?
Nas inserções do candidato ACM Neto ao Governo da Bahia já é possível observar as eventuais digitais da presença de Joao Santana na campanha. ACM Neto foca não em disputas ideológicas com o PT, mas na ineficiência da máquina pública estadual, traduzida nos altos índices de violência, em obras faraônicas que nunca saíram do papel, a exemplo da gigantesca ponte que irá ligar Salvador à Ilha de Itaparica. ACM Neto faz um confronto de gestão, levando o eleitorado a se remeter ao período em que esteve à frente da Prefeitura de Salvador. No momento, aparece à frente de Jerônimo Rodrigues.

