pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sábado, 31 de janeiro de 2026

Editorial: Ciro já se prepara para enfrentar Camilo.



O Planalto ainda não bateu o martelo sobre o assunto, mas o ex-Ministro Ciro Gomes está convencido de que deverá mesmo enfrentar o hoje Ministro da Educação, Camilo Santana, nas próximas eleições estaduais. Ele fala em traição de Camilo a Elmano de Freitas, mas, a rigor, a escalação pode ser creditada aos problemas que a reeleição de Lula poderá enfrentar em regiões como o Nordeste, reduto tradicional do PT. Ceará e Bahia, apenas para ficarmos nesses exemplos, são dois entes federados onde a gestão do PT enfrentar enormes dificuldades, principalmente em áreas como segurança pública, o principal mote das próximas eleições. Aliás, o PT não vai bem nesta área, o que pode prejudicar a candidatura de Lula como um todo. Ciro já foi, num passado recente, um grande aliado do hoje Ministro da Educação, Camilo Santana, ex-prefeito de Barbalha. 

Em suas aparições em vídeos, ele tem revelado coisas cabeludas acerca dessa relação e promete que irá revelar detalhes durante a campanha. Acreditamos que o voto petista está mais consolidada na Bahia. Ali percebemos uma espécie de voto identitário, ou seja, um contingente disposto a votar num candidato petista em quaisquer circunstâncias. A reação de Jerônimo Rodrigues - além da força do nosso Senhor do Bonfim - pode ser atribuída, em parte, a este caráter do voto baiano. Acreditamos que este fenômeno não se reproduza no Ceará e, além do mais, Ciro está unindo em torno de si uma composição de forças políticas bastante robusta. Ele sai como favorito, independentemente de quem deva enfrentar. Ele tem certeza de que será Camilo Santana. 

Um duelo de titãs ao qual o blog já está atento desde agora. Esta será uma das disputas mais renhidas entre as eleições estaduais que deverão ocorrer por todo o país. Ciro foi questionado recentemente se daria seu apoio ao nome de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Com as alianças que ele já celebrou no estado ele não teria qualquer dificuldade em confirmar este apoio. Afinal, os bolsonaristas raízes do estado estão como ele, a exemplo do capitão Wagner e do deputado federal André Fernandes. A ordem entre eles é infligir uma derrota ao PT. 

Editorial: Faria Lima corteja Ratinho Junior.



Há alguns dias, os analistas políticos passaram a estranhar o avanço da candidatura de Ratinho Junior, governador do Paraná, nas pesquisas de intensão de voto. Mostramos que Ratinho Junior, além de mostrar-se convincente sobre a sua candidatura presidencial - o que poderia passar uma imagem bastante positiva aos eleitores - também passava a angariar a simpatia da Faria Lima, principalmente avançando sobre as indecisões e dependência política do governador Tarcísio de Freitas, que já havia, inclusive, sido "verificado". Aliás, desde muito tempo. Tentou o apoio de Bolsoanro, mas, numa visita recente à Papudinha, todas as suas esperanças foram frustradas. Quem disputa o Palácio do Planalto com o apoio do capitão é mesmo senador Flávio Bolsonaro. Restou a Tarcísio, montar o palanque do senador no maior colégio eleitoral do país. 

Ontem ficamos sabendo que, também por interferência do capitão, a rebelião do governador Jorginho Mello, de Santa Catarina, não deu em nada. Esperidião Amim - político com larga experiência e identificado com as hostes conservadora - perdeu a vaga para Carlos Bolsonaro. Hoje, em matéria da revista Veja, ficamos sabendo que o PIB organiza uma grande almoço com a presença do governador Ratinho Junior, indicador claríssimo de uma tendência que se esboça neste momento, preenchendo o vácuo de uma candidatura que represente os interesses conservadores. Hoje Gilberto Kassab falou sobre a formação de uma chapa puro sangue. Pelo andar da carruagem política, Ratinho e quem mais? Sem contar que os três nomes apresentados pelo PSD não poderiam contar com um melhor padrinho político. 

O PT já se prepara para a batalha paulista. Quer evitar que Tarcísio de Freitas seja reeleito no primeiro turno. Simone Tebet, que deixou o Ministério do Planejamento, é o primeiro reforço. Fala-se em Fernando Haddad como candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Correndo noutra raia, mas desejando o sinal verde do Planalto, Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente.  A rigor, fala-se, amiúde, que Geraldo Alckmin poderá completar a escala do timaço com quatros ministros. Tudo para amealhar o equilíbrio de votos que Lula precisa no maior colégio eleitoral do país. Principalmente agora, onde os problemas são evidentes em seu principal reduto eleitoral, o Nordeste. 

Editorial: Cuba se prepara uma nova Sierra Maestra?



Não duvidem da capacidade dos seres humanos em superar as adversidades. Quando o Granma encalhou num destino incerto na costa cubana, vindo do México, contava com 82 tripulantes que deveriam iniciar a guerrilha cubana na Sierra Maestra contra a ditadura de Fulgêncio Batista. Informados pela CIA, as forças leais a Batista já aguardavam os futuros guerrilheiros, que também não contaram com o apoio ou suporte logístico de grupos que se juntariam a eles em território cubano. Uma espécie de guerrilha urbana, salvo melhor juízo, sob a coordenação de Célia Sanches, que continuou cumprindo o papel de realizar essa interlocução durante todo o processo revolucionário. Conforme afirmamos antes, eles não desembarcaram, mas encalharam num local bem distante do que havia sido previsto, sendo massacrados pelas forças leais a Batista.  

Apenas 12 guerrilheiros sobreviveram ao massacre, embrenhando-se por entre as plantações de cana, permanecendo dias escondidos, literalmente caçados pelas forças convencionais do Exército Cubano.  Entre eles, Fidel Castro, Raul Castro e Che Guevara, que seria o médico da expedição, mas precisou trocar o estetoscópio pelo fuzil para sobreviver. Mais tarde, Guevara se tornaria um dos atores políticos mais relevantes para o êxito do projeto revolucionário. Certa vez, alguém que se apresentava como agente da CIA - imaginem! - nos corrigiu sobre esses números. Havíamos assinalados 14. Antes, no dia 26 de julho, Fidel, juntamente com centenas de jovens, haviam tentado uma invasão frustrado ao Quartel de Moncada, onde centenas foram mortos, a sua maioria sob tortura. Fidel conseguiu fugir, mas foi capturado com ordens superiores expressas para ser assassinado. Deu sorte de ter sido capturado por um colega de turma do curso de direito da Universidade de Havana, que optou por prendê-lo e não matá-lo. Este foi o primeiro "livramento" de Fidel. 

Derrotado Batista, a CIA organizou um grupo de mercenários que invadiu a Ilha pela região de Giron, na Baía dos Porcos. Foram mais uma vez rechaçados. O Serviço Secreto cubano tomou conhecimento desses preparativos de forma inusitada, através de um cidadão, que repassou tais informações circunstancialmente, sem que ele mesmo soubesse do que se tratava. Nessas batalhas, tornou-se emblemática a distribuição de armas aos carvoeiros, numa demonstração inequívoca da confiança do comandante na população local. Fizemos esse prólogo para observar que a ilha cubana sempre resistiu às  mais condições adversas. Hoje eles estão no limbo. É previso admitir. Cremos que nem a segurança alimentar da população, aquele que seria o grande trunfo da Revolução, consegue hoje se atendida. Fala-se em mendicância e há protestos de rua contra esta situação. 

Até recentemente, a Venezuela ainda fornecia petróleo a Ilha, mas, com os últimos acontecimentos, esse abastecimento foi interrompido. Ontem ficamos sabendo que os cubanos estão se preparando para a guerra. As ameaças são veladas e sabemos que essas ingerências dos americanos no continente não se encerraram com o episódio Venezuelano. Os esboços de defesa da soberania do país são repelidos com novas ameaças. Até e presidente Delcy Rodriguez já foi advertida de que poderá ter o mesmo destino de Nicolás Maduro. As épocas são distintas. Nos anos 60, um dos fatores que contribuíram para o êxito do projeto revolucionário foi exatamente o apoio dos camponeses. Hoje teríamos sérias dúvidas sobre o apoio da população a uma resistência nas montanhas de Sierra Maestra. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Editorial: Tarcísio dá adeus às ilusões de uma candidatura presidencial em 2026.



Os últimos movimentos no tabuleiro da política nacional indicam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não disputará o Palácio do Planalto nas eleições de 2026. Saiu de uma conversa com o capitão Bolsonaro se comprometendo a apoiar o projeto de seu filho, Flávio Bolsonaro, à Presidência da República. Embora bem ranqueado, se considerarmos as últimas pesquisas de intensão de voto - inclusive a publicada no dia de hoje, 29, realizada pelo Paraná Pesquisas - a dívida de gratidão de Tarcísio aos Bolsonaro é grande. Do tipo impagável. Sabe-se que Flávio enfrenta algumas dificuldades, inclusive entre as hostes conservadoras. Até mesmo a de perfil bolsonarista raiz, a exemplo de Valdemar da Costa Neto e Silas Malafaia. Há quem diga que até no seio da família Bolsonaro, a exemplo de Michelle Bolsonaro. 

Mas não é só isso. As dissidências bolsonaristas representam setores estratégicos que não se afinam com o projeto do filho do presidente Jair Bolsonaro. A candidatura de Tarcísio de Freitas, por outro lado, já havia sido "verificada" pela Faria Lima. Trata-se um projeto bem mais consolidado do que o de Flávio. Ou tratava-se. Com a sua possível desistência, incorremos na possibilidade de migração desses setores resistentes para um outro nome do campo, catalizador dessas reticências ao nome de Flávio. O crescimento de Ratinho Junior tem algo a ver com isso. Sempre um passo à frente, Kassab apresenta não uma, mas três opções. Centro, direita e centro-direita, se preferirem. À exceção de São Paulo, uma vez que Tarcísio já afirma ser candidato à reeleição e credita o apoio ao projeto de Flávio, os arranjos regionais podem trazer grandes dores de cabeça ao Flávio Bolsonaro. Santa Caarina pode ser apenas a ponta do iceberg. Mas isso já é assunto para um outro momento. 

Numa declaração recente, Kassab chegou a afirmar que Tarcísio precisaria construir uma identidade própria - ou fortalecê-la - numa clara alusão à sua dependência do bolsonarismo. Vamos aguardar que até 2030 Tarcísio se torne menos dependente do bolsonarismo. Diante desses fatos novos, sabe-se lá como o Planalto irá se arranjar para a disputa em São Paulo. A reeleição de Tarcísio de Freitas são favas contadas. No maior colégio eleitoral do país, o PT precisa amealhar o montante de votos suficientes para equilibrar o jogo no plano nacional. Sem isso não chega, principalmente diante das dificuldades em seus redutos tradicionais, a exemplo do Nordeste. 

Editorial: Daniel Vorcaro na CPMI do INSS



O presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana, anunciou a pouco que o banqueiro Daniel Vorcaro está sendo convocado para depor na Comissão. Carlos Viana, assim como o relator daquela comissão, Alfredo Gaspar, estão fazendo a sua parte, de forma correta, republicana, consoante a defesa do interesse público. Louvável o trabalho que está sendo realizado por esta comissão, a despeito das dificuldades que eles enfrentam. Assim que o nome de Daniel Vorcaro foi anunciado, passamos a refletir acerca do aparato jurídico que deve está sendo mobilizado para a blindagem deste cidadão naquela audiência. Na realidade, Daniel Vorcaro deu um nó no sistema. Um nó que, para ser devidamente desatado, muitas cabeças deverão rolar. O enredo é nebuloso. 

Em alguns dessas audiências, por incrível que possa parecer, contrariando algumas tendências, mesmo diante de blindagens resistentes, o cidadão resolve abrir a boca. Não acreditamos que seja este o caso. O mais provável é que ocorra mais uma daquelas sessões chatas, com a profusão daquela chavão conhecido: Vou manter o direito de ficar calado. Compensa, nessas ocasiões, o primoroso trabalho da equipe de assessores de Alfredo Gaspar, mostrando as falcatruas atribuídas aos convocados à comissão. Neste caso, como se sabe, após a decretação do sigilo das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o rombo do Master, até isso foi prejudicado. Nesta segunda fase, a CPMI do INSS vai entrar nas apurações relativas aos desvios ocorridos nos famigerados empréstimos consignados. 

As ramificações da teia que envolve este cidadão são tão complexas que, salvo melhor juízo, até o senador Alessandro Vieira, relator da comissão do crime organizado, pensa também em convocá-lo. A república encontra em verdadeira ebulição com os fatos que estão sendo revelados por parte da imprensa, uma vez que a outra parte também encontra-se contaminada. Afinal, estamos tratando de uma das vértices do sistema. Enaltecer aqui o trabalho da equipe do site Metrópoles, que realiza um trabalho de verdadeiro jornalismo, capaz de fazer a diferença, incomodando pelas verdades que estão sendo expostas. Eles estão publicando aquilo que alguém quer que não se publique, conforme defendia George Orwell, em sua definição de jornalismo. O resto é propaganda. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Editorial: Caiado filia-se ao PSD



Há poucos dias, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, demonstrou publicamente sua insatisfação com os dirigentes do União Brasil, que não se definiam em relação ao apoio efetivo ao seu projeto de candidatar-se à Presidência da República. O processo foi mais rápido do que imaginávamos. Hoje, 28, ele já anuncia sua filiação ao PSD, dirigido nacionalmente por Gilberto Kassab. O PSD agora tem três governadores que estão numa disputa interna por uma indicação como candidato oficial da legenda à Presidência da República. Já teria sido firmado um acordo interno entre eles no sentido de que a definição se dê a partir da viabilidade de cada um deles, ou seja, aquele que melhor aparecer nas intenções de voto, será o ungido. Kassab é aquele político pragmático, que se move consoante conveniências bem específicas. Em princípio, o seu nome é o de Tarcísio de Freitas, mas há fortes indícios de que o governador possa mesmo disputar sua reeleição ao Palácio Bandeirantes. Ele é muito dependente do bolsonarismo e o bolsonarismo já tem candidato. Trata-se do senador Flávio Bolsonaro.  

Os nomes do PSD estão mais livres dessas amarras, caso do próprio Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite. O próprio Caiado estava apontando algumas fragilidades da candidatura de Flávio Bolsonaro, principalmente em relação à sua inexperiência no Executivo. Há muitas críticas e resistências à candidatura de Flávio Bolsonaro, mas, a rigor, a maioria delas não procedem, como se dizer, por exemplo, que não se trata de uma candidatura viável ou inconsistente. Há até jornais italianos, com pesquisas duvidosas, afirmando que ele já teria superado Lula. Quando os seus adversários internos o criticarem seria bom apresentar argumentos mais consistentes. Ele é competitivo no escopo do bolsonarismo. 

E, por falar em Kassab, aqui em Pernambuco, que tem uma governadora do PSD, o mundo parecer ter desabado sobre a cabeça de Raquel Lyra. Há uma campanha sistemática de ataques à governadora, dirigida por seus adversários, apoiada numa espécie de indignação seletiva. Eventuais equívocos na condução de investigações encetadas pela Secretaria de Segurança Pública estão sendo creditadas diretamente às suas ordens. É como se a governadora tivesse dado o aval ou sinal verde para essas práticas execráveis, o que é improvável que tenha ocorrido. No estado, aí sim, existem oligarquias políticas muito mais familiarizadas com tais procedimentos, daí o uso da expressão "indignação seletiva". Ontem citamos por aqui uma ocorrência dos tempos sombrios de um período de exceção - a Ditadura do Estado Novo - mas, em plena normalidade democrática, adversários e críticos dos governos de turno são submetidos aos "pelourinhos" psicológicos, expostos à execração pública e assédios institucionalizados. Naturalmente que os áulicos, cupinchas, bajuladores de turno ou homens "rapariga", como diria o comendador Arnaldo, desconhecem o que estamos falando. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Editorial: Lula começa a escalar o time para 2026


Ao sinal verde de Lula - sempre ele - o PT começa a movimentar as peças no tabuleiro das quadras estaduais visando as eleições de 2026. Recentemente ele declarou que era preciso apresentar nomes com musculatura política suficiente para enfrentar os quadros da oposição. Precisa mesmo, uma vez que a Oposição concebeu a estratégia de se fortalecer para o Senado Federal já há algum tempo. As razões são por demais conhecidas e os leitores nos permitam avançar nessas discussões. Consideramos apenas que, mais uma vez, o PT perdeu a largada. Há algum tempo, uma matéria da revista Veja apontava, com base em pesquisas realizadas, que apenas nos estados de Pernambuco e Espírito Santo o Planalto tinha nomes competitivos na disputa pelo Senado Federal. Esta centralização do PT em torno de Lula atrapalha um pouco. 

Mas, antes tarde do que nunca. Especula-se que, em São Paulo, talvez possamos ter um timaço, ou seja, quatro Ministros de Estados na disputa. Em estados estratégicos do Nordeste, onde as coisas não vão bem, a exemplo do Ceará e da Bahia, os titulares dos cargos poderão não disputar a reeleição. Elmano de Freitas, no Ceará, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia. Os atuais governadores disputariam uma vaga de senador, enquanto Rui Costa, na Bahia, e Camilo Santana, no Ceará, disputariam o Governo do Estado. Lula lidera todas as pesquisas de intensão de voto até este momento - já disse que enquanto for vivo não devolve o país aos bolsonaristas - mas a conjuntura atual não é das melhores. O país tem problemas e, somado a isso, não se pode ignorar essa onde conservadora em curso que anda apeando do poder lideranças de esquerda. 

No Paraná, por exemplo, onde a ex-Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, pretende disputar uma das vagas ao Senado Federal pelo estado, quem lidera a corrida para governador é o arqui-inimigo  Sérgio Moro. Sabe-se lá como está o PT na disputa. Naquele ente federado, por outro lado, temos um pré-candidato à Presidência da República que melhora seu ranking na proporção em que nomes como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas não chegam a um consenso. Ratinho Junior começou a crescer como opção, sobretudo em razão da firmeza com que se coloca como candidato. Outra vantagem é que não depende do sinal verde da família Bolsonaro, a exemplo de Tarcísio de Freitas. Embora seja viável, amplos segmentos conservadores rejeitam o nome de Flávio Bolsonaro. Rejeição a Flávio e dependência e indecisões de Tarcísio dão combustível ao avanço de Ratinho. 

Editorial: Os encontros secretos de Lula.



Nos próximos debates eleitorais com os candidatos que concorrem ao Palácio do Planalto, Lula é que deverá ser questionado porque decretou sigilo sobre alguns dados relativos a fatos ou despesas do Executivo, contrariando princípios inerentes ao serviço público, como o da transparência. Ele cobrou bastante o ex-presidente Jair Bolsonaro em torno deste assunto, mas, no exercício do seu terceiro mandato não deu bons exemplos. Não vamos aqui nem enumerar esses fatos, uma vez que são do conhecimento público. Ou do não conhecimento público, para sermos mais precisos. No dia de ontem, duas informações nos chamaram muito a atenção. Uma matéria do site Metrópoles - que vem dando um banho de jornalismo investigativo - sobre um suposto encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o banqueiro dono do banco Master, Daniel Vorcaro, intermediado por "consultor" com salário de um milhão de reais mensais. Nossas instituições entraram num processo de degenerescência republicana bastante complicado. Mas vamos poupar os leitores dos fatos mais escabrosos. Segundo o site, esta reunião não aparece em nenhuma agenda oficial. O encontro teria durado cerca de uma hora e meia. O teor das conversas ficarão sob sigilo pelos próximos cinco séculos, se entendermos que até despesas básicas de viagens de diárias estão sob sigilo. 

O que mais impressiona é a teia de articulações deste cidadão Vorcaro com o alto escalação dos três poderes da República. Isso está destrinchado em matéria da Coluna Diário do Poder, do dia de hoje, 27. A outra notícia é que Lauro Jardim, de O Globo, informar sobre um suposta encontro discreto ( ou secreto?) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o Lauro Jardim, Lula teria dito ao ministro que ele teria uma raro oportunidade de preservar ou resgatar a sua biografia. Há muita gente intrigado com os rumos que estão tomando as investigações sobre os desmandos financeiros do maior escândalo de fraudes bancárias da história do país. Um enredo nebuloso de podres poderes, envolvendo figuras do alto escalão, todas enredadas pelos altos pagamentos realizados pelo banco. 

Aqui em Pernambuco, também como reflexo dessa degenerescência institucional, repercute bastante a matéria do Programa Domingo Espetacular, da Record,  sobre eventual investigação paralela e ilegal de adversários políticos como se isso fosse alguma novidade aqui na província. Isso é até recorrente e integra o acervo de nossos mal costumes políticos, seja em períodos de normalidade democrática, seja em períodos de exceção. Ainda na década de 40, quando chegava em sua residência, no bairro de Boa Viagem, o jornalista Aníbal Fernandes, que escrevia artigos críticos à Ditadura do Estado Novo, recebeu, como se diz no linguajar popular, uma "camada de pau". Gabinetes de disseminação de fake news com o propósito de "cancelar" adversários são mais comuns do que se imagina e independe dos colorações ideológicas dos governos de turno. Se azul, vermelho ou amarelo.  

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Editorial: O diário secreto de Herman Theodor Lundgren.

 




Há alguns anos, escrevemos uma série de três romances históricos\ensaísticos\memorialistas sobre a industrialização têxtil no Nordeste brasileiro, tomando como referência o caso específico da cidade de Paulista, localizada na Região Metropolitana do Recife, que, em seu apogeu, se tornaria num dos maiores polos têxteis não apenas do Brasil, mas da América Latina. Tudo o que ocorria na indústria têxtil no Brasil e no mundo, se refletia naquele parque industrial erguida pela família Lundgren em terras pernambucanas, ainda no início do século passado, ou seja, 1900, quando patriarca do grupo, o sueco Herman Theodor Lundgren, que havia feito fortuna trabalhando no Porto do Recife, adquiri centenas de hectares de terras na região e uma modesta fábrica de sacarias para embalagem de açúcar. 

O primeiro desses romances, Menino de Vila Operária, abarca o período que vai de 1900 a 1930, do início das atividades até o seu apogeu. O livro, publicado depois de conquistar o primeiro prêmio literário do escritor, encontra-se com a sua primeira edição esgotada. Outro dia, para nossa alegria, ficamos sabendo, através das redes sociais, que um dos seus exemplares encontra-se na Biblioteca de Washington. Na realidade, nossa grande satisfação foi vê-lo circulando na rede de bibliotecas públicas do estado da Paraíba, cumprindo o seu verdadeiro papel, ou seja, o de fomentar o hábito de leitura e formar a consciência crítica de uma legião de leitores. O segundo romance, Memórias de uma Cidade Tecida, trata do período que vai de 1930 a 1960, quando, por uma série de fatores abordados no texto, as indústrias dos Lundgren enfrenta as dificuldades inerentes ao setor naquele período, as indisposições com a ditadura do Estado Novo e, não menos importante, o despertar da consciência de classe dos operários locais, naquilo que denominamos de microfísica da resistência, nos apropriando de um conceito do filósofo francês Michel Foucault. 

Não se trata apenas de uma rebelião acerca das precárias condições de trabalho a que esses operários eram submetidos no interior das fábricas, mas ao próprio Sistema Paulista, ou seja, uma gestão da vida dos operários em todas as dimensões: econômica, política, social e religiosa. As fábricas eram dos Lundgren, assim como a vila operária, as terras, as matas, os armazéns, onde os operários realizavam suas compras de víveres e ficavam dependentes deste sistema eternamente, através das concessões de "vales", uma espécie de moeda local sem valor algum fora da Vila Operária. Um processo de dependência absoluta, denominada pelo antropólogo José Sergio Leite Lopes como O Sistema Paulista. Sobre este tema em particular, cumpre aqui registrar uma suposta carta atribuída ao comendador Herman Lundgren, onde ele se refere aos operários e operárias como "unidades produtivas". 

O terceiro romance, Tramas do Silêncio, como o próprio nome sugere, trata da decadência da indústria têxtil na cidade, que, a partir de um determinado momento - acompanhado a crise no setor em todo o país - entra numa debacle que não teria mais retorno, até sua falência definitiva na década de 1980. Como se trata de um período historicamente emblemático para o país, analisamos os reflexos do Golpe Civil-Militar de 1964 sobre a cidade, que também deixaria suas marcas indeléveis, com denúncias de tortura, o Massacre da Granja São João, presos e desaparecidos políticos. Para construirmos essa narrativa, nos orientamos por inúmeros textos acadêmicos, ancorado, quase sempre, pelo trabalho minucioso realizado pelo antropólogo José Sergio Leite Lopes, sua tese de doutoramento, A Tecelagem do Conflito de Classe na Cidade das Chaminés. Certamente o livro mais bem documentado sobre o assunto. Uma referência obrigatória em qualquer estudo acerca deste tema. 

Este último romance, o terceiro do ciclo, tem algumas discussões interessantes acerca dos precedentes do Golpe Civil-Militar no país, principalmente no que concerne à organização da classe operária no município, embalada por um momento político sensivelmente favorável, com uma consciência de classe aguçada e com o apoio dos governos federal e estadual, na pessoa do Dr. Miguel Arraes de Alencar, então governador do Estado, que não permitiu que sua Polícia Militar reprimisse os trabalhadores em sua luta por reivindicações legítimas da categoria. O que se segue a este período já é História, mas cumpre registrar as consequências políticas para a Vila Operária daí decorrentes, como uma perseguição implacável ao movimento sindical e suas lideranças. Antes disso, porém, havíamos organizado um programa de alfabetização de adultos na Vila, que contou com Paulo Freire em sua aula inaugural, igualmente abortado. 

Dr. Miguel Arraes era um político tratado com reverência em nossa modesta residência. Papai convenceu muitos operários a votarem nele quando havia uma determinação explícita dos Lundgren em sentido contrário. Alguns anos antes, quando das primeiras iniciativas de formação de um sindicato da categoria, liderada por Roberto do Diabo, papai emprestou solidariedade ao companheiro, arcando com as consequências daí decorrentes. Um dos seus momentos mais felizes foi participar de uma audiência com Cristiano Cordeiro, Paulo Cavalcante e Gregório Bezerra, que integravam uma comissão da ALEP que se propunha a investigar as arbitrariedades dos Lundgren na cidade. O foco era a temida milícia armada mantida pela Companhia, conhecidos como os vigias da Companhia.  Nunca o havia visto antes com um semblante tão leve e tão recompensado. 

Achávamos que havíamos esgotado o assunto, mas ontem, assistimos, durante uma hora, um documentário apavorante sobre o "apagamento" da História de alguns aspectos da presença da família Lundgren na cidade. Perdoem os leitores o trocadilho, mas há muito pano para as mangas. Alguns desses aspectos sombrios narrados no documentário sequer são registrados no livro do antropólogo José Sérgio Leite Lopes e, consequentemente, nos nossos romances, que tomaram o livro como referência dos dados históricos. Vale aqui fazer algumas ressalvas, no entanto. Alguns desses fatos só seriam revelados muito depois, já sob os escombros das fábricas de tecidos, como, por exemplo, os túneis encontrados depois de escavações realizadas por trabalhadores do município. 

Quando escrevemos os  nossos romances, isso era dado apenas como algo folclórico, inventado pelos moradores da Vila Operária, creditado ao imaginário social. Agora sabe-se que, de fato, os túneis existiam, ligando a linha de produção da Companhia até a residência dos Lundgren, com  um acesso ao Porto Arthur e, finalmente, ao Rio Paratibe. Com que finalidade, afinal, eles foram construídos? No nosso primeiro romance, o Menino de Vila Operária, alimentando o folclore popular em torno do tema, até o líder nazista Adolpho Hitler teria feito uma visita secreta à família Lundgren, em Paulista, e chegado através de um desses túneis, possivelmente o do Porto Arthur. Aqui começa um histórico nebuloso de "apagamento" sistemático da História local. Antes mesmo de investigar sequer as rotas existentes, suas extensões, o poder público municipal mandou soterrar os túneis, construindo por sobre eles. 

O fato mais nevrálgico ocorreria, no entanto, ente 5 e 7 de março de 1963, um ano antes do golpe militar, portanto. Um dia antes, os trabalhadores realizaram uma espécie de motim, deixando de comparecer, em massa, à linha de produção das fábricas de tecido. O que se sucedeu está envolto até hoje em grande mistério. Há relatos de um médico, concedido a um professor da UFPE, falando sobre dezenas de operários feridos, atendidos por ele,  assim como a presença maciça de carros militares no entorno da Vila Operária. Não há qualquer menção ao assunto no livro de José Sergio Leite Lopes. Por esse época, os operários já eram bastante politizados, em razão de sucessivos processos grevistas ocorridos na Companhia. Tão politizados que, mesmo quando a Companhia estava funcionando, eles pararam suas atividades para emprestar solidariedade aos operários em greve da Fábrica da Macaxeira, no Recife. Nunca saberemos a dimensão correta do que ocorreu naquela episódio. 

Há registros de cemitérios clandestinos encontrados durante escavações de servidores da prefeitura, por ocasião de obras de saneamento na antiga Vila Operária. Numa dessas valas foram encontrados esqueletos de aproximadamente 15 a 25 pessoas com marcas de tiro em alguns deles. A Medicina Legal iniciou as investigações, mas logo em seguida interrompeu os trabalhos. Como não temos dados precisos sobre o assunto - até porque se tivéssemos teríamos abordados em nossos textos - recomendamos aos leitores assistirem ao documentário A História Proibida do Casarão dos Lundgren: O cemitério que o Governo lacrou, disponível no canal do Youtube Patrimônios Imperiais. Tirem suas próprias conclusões. Isso evita que cometamos o erro de transmissão de notícias falsas ou imprecisas. 

Como já criamos couraça para as injustiças, o fato que mais nos chamou a atenção no documentário foi um achado - igualmente depois de escavações procedidas por funcionários da Prefeitura Municipal de Paulista, de um baú, ainda preservado, onde, no seu interior, bastante protegido por capas de couro, alguns escritos deixados supostamente pelos operários da Companhia, onde se lia em destaque a expressão: Para que vocês saibam que resistimos. Perdão pela imprecisão na descrição da frase correta, daí a necessidade, mais uma vez, de ver o documentário. Durante a sua pesquisa de doutoramento, traduzida no livro aqui já citado, o antropólogo José Sérgio Leite Lopes faz referência a um outro texto de memórias produzidos por um operário da Companhia e entregue a ele. Esse texto rendeu muitas tintas acadêmicas. 

Um fato alvissareiro é que, diferentemente dos outros apagamentos, o teor dos documentos encontrados neste baú estaria no Arquivo Público Estadual. O documentário traz alguns fatos curiosíssimos, como uma referência aos diários do comendador Herman Theodor Lundgren, assim como sobre a doação de sua biblioteca particular à Biblioteca Pública Municipal, de onde, misteriosamente, de um montante de tantos livros inicialmente doados, um outro montante expressivo teria sido, supostamente, apagados dos registros. Assistem ao documentário e, principalmente, leiam os nossos três romances sobre o assunto, disponíveis na plataforma da Amazon, que podem ser acessados clicando na foto das capas que aparecem no canto esquerdo deste blog. 

Aqui cumpre fazer alguns esclarecimentos acerca de nossa referência à presença de Adolph Hitler na cidade, sobretudo em razão das especulações em torno de uma suposta simpatia da família Lundgren pelo Nazismo. O assunto é controverso, mas nada que se possa inferir como procedente. Confessamos termos lidos teses acadêmicas afirmando categoricamente que sim, ao passo que outros estudiosos descartam completamente tal possibilidade. Não há elementos para afirmar que sim. É possível que entre os engenheiros "galegos" - apelido dado pelos operários aos engenheiros alemães que trabalhavam na indústria têxtil - houvesse alguém que simpatizasse pelo Nazismo. Mas só isso. Nem mesmo o DOPS - A Polícia Política do Estado Novo - com seus inúmeros prontuários sobre os movimentos de estrangeiros na Companhia - conseguiu encontrar uma evidência que ligasse os Lundgren ao Nazismo. 

Uma das melhores satisfações para quem escreve é o feedback dos seus leitores. Um dos nossos maiores prazeres como estudante era quando o professor e poeta Marcus Accioly, depois de recomendar a leitura de algum livro, levava o autor à sala de aula para debater com os alunos. Marcus era professor de Teoria Literária, no Curso de Letras da UFPE. Nos preparávamos com esmero para os debates. Outro momento de grande satisfação era encontrar com Gilvan Lemos, aos sábados, na tradicional batida de maracujá na antiga Livro 7. Esses encontros estão registrados no último tomo dos romances, ou seja, Tramas do Silêncio. Ambos já faleceram. É uma espécie de homenagem. Enviem seus feedback depois das leituras. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Editorial: Camilo Santana poderá disputar o Governo do Ceará

Crédito da Foto: Rede Facebook


O PT enfrenta dificuldades eleitorais em dois dos principais colégios eleitorais do Nordeste. No Ceará, onde Ciro Gomes lidera as pesquisas de intensão de votos para o Palácio da Abolição; e na Bahia, onde ACM Neto aparece na dianteira da corrida pelo Palácio de Ondina. Na caso da Bahia, há uma espécie de "voto identitário" que poderia, em tese, reverter, mais uma vez, o favoritismo do Carlismo. Não seria a primeira vez. No Ceará a situação é mais complicada, uma vez que Elmano Freitas não reúne as condições ideais numa disputa com Ciro Gomes. O estado enfrenta enormes dificuldades numa área nevrálgica, a segurança pública. Na realidade, foi Camilo Santana que elegeu Elmano de Freitas na eleição de 2022. Na última pesquisa de intenção de votos para o Governo do Estado Ciro Gomes abre dez pontos de diferença em relação a Elmano de Freitas. 

Ciro montou em torno de si uma composição de forças políticas eclética, que vai do centro político à ultradireita, passando pelo PL de André Fernandes e do Capitão Wagner. No Ceará as coisas estão bastante complicadas para o PT. Soma-se ao capital político de Ciro a impotência de Elmano de Freitas em enfrentar o crime organizado no estado. O conjunto de forças que hoje se aliam ao ex-governador Ciro Gomes possui uma longa expertise nesta área de segurança pública e isso poderá ser determinante. Diante de tantas fragilidades, num estado em vias de colapsar, como Elmano de Freitas enfrentará este debate? No estado há vários territórios ocupados pelo crime organizado. Sabedores desses problemas - e de olho nas primeiras pesquisas de intenção de voto que apontam a liderança de Ciro Gomes - é que o PT começa a cogitar a possibilidade de indicação do atual Ministro da Educação, Camilo Santana, para a disputa do Governo do Estado, cabendo a Elmano de Freitas a disputa de uma vaga ao Senado Federal, conforme se especula na coluna Diário do Poder, do dia de hoje, 23. 

Sugere-se que haveria algumas sondagens apontando um equilíbrio na disputa caso Camilo estivesse, mais uma vez, na corrida pelo Palácio da Abolição. Camilo e Ciro já foram grandes aliados num passado recente. A foto publicada acima é um bom exemplo do que estamos afirmando. Ciro, aliás, inúmeras vezes se coloca como um padrinho da ascensão política do ex-prefeito de Barbalha, aquela cidade famosa pela festa do Pau de Santo Antônio. Ciro se sente, de alguma forma, responsável pelos atropelos que enfrenta atualmente o Governo do Ceará. A disputa promete. É criador contra a criatura. Que venha Camilo, diria Ciro Gomes. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Drops Político: Gilson Machado deixa o PL


O resultado dessas querelas entre as principais lideranças do PL no Estado não poderia ser outro. Em carta, o ex-Ministro do Turismo do Governo Bolsonaro, Gilson Machado, comunica sua saída do PL. Não vamos aqui entrar nos pormenores dessa contenda, uma vez que elas são por demais conhecidas dos recifenses. Com o apoio de Valdemar da Costa Neto, a família Ferreira controla o partido no estado, obstacularizando as pretensões políticas do ex-ministro, que pretende candidatar-se ao Senado Federal nas próximas eleições. O caminho de Gilson Machado agora, segundo se especula, poderá ser o Novo ou o Podemos. Aliás, o que se diz nos escaninhos da política pernambucana, é que ele já teria sido sondado por essas agremiações. Quem sabe, poderia até ser construída uma chapa alternativa à polarização renitente entre as candidaturas de Raquel Lyra, de um lado, e do outro, João Campos. Temos comentado muito pouco sobre a nossa conjuntura política, hoje muito mais parecida com página policial. Gilson deixa o PL reafirmando o seu compromisso com o bolsonarismo. 

Editorial: Rogério Marinho será o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro.



Acabou não ocorrendo o encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Muitas especulações surgiram em torno deste encontro. Muito em razão dessas especulações, Tarcísio de Freitas optou por cancelar a visita ao amigo. Flávio Bolsonaro andou antecipando o que, supostamente, Jair Bolsonaro diria ao ex-subordinado. Mesmo com muitas incertezas, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro está posta. Ontem foi anunciado que ele deverá convidar o senador do Rio Grande do Norte, Rogério Marinho, para coordenar sua campanha. Com isso, Rogério Marinho desiste de tentar se eleger governador do Rio Grande do Norte. O senador faz um bom trabalho no parlamento, principalmente em relação à CPMI do INSS. 

Com essas mexidas nas peças do tabuleiro, hoje, uma das maiores especulações diz respeito ao pleito em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Com uma reeleição assegurada, o dilema de Tarcísio diz respeito apenas ao momento certo de tentar o voo nacional. Por outro lado, o PT precisa, literalmente, da raspa dos votos naquela colégio eleitoral, se deseja equilibrar o jogo a nível nacional, assegurando mais um mandato para o presidente Lula. O percentual de votos adquiridos por Fernando Haddad, em 2022, foi fundamental para a vitória de Lula. Além da capital, São Paulo tem ume penca de colégios eleitorais nevrálgicos, com percentuais de votos que ultrapassam a barreira de um milhão. Um fraco desempenho ali de um candidato ao Palácio do Planalto, pode ser determinante para a sua vitória ou derrota. 

Tudo indica que Haddad poderá ir para o sacrifício mais uma vez, candidatando-se apenas para manter os percentuais de votos fundamentais a mais uma vitória do petista, considerando-se a hipótese de manutenção de sua hegemonia em regiões com o Nordeste. Em troca, segundo se especula, Haddad assumiria um ministério chave no quarto mandato de Lula, habilitando-se para sucedê-lo. É bom salientar que esta estratégia já foi pensada quando ele foi indicado para a Fazenda, onde o próprio Governo não lhes assegurou as condições adequadas para fortalecê-lo. Haddad foi derrotado pelos grupos mais ideológicos do petismo, para quem essa conversa de austeridade fiscal soa estranha. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Editorial: O PT que já aderiu a João Azevedo.


Recentemente, estivemos no Museu de História da Paraíba, que fica localizado no antigo Palácio da Redenção, antiga sede do Governo do Estado. Foi bastante interessante observar as "alcovas" dos mandatários do estado vizinho, mas este não é o momento para tratarmos deste assunto. Fica para uma outra oportunidade. O fato mais comentado na crônica política do Estado da Paraíba no dia de hoje, 21, é uma espécie de antecipação de apoio de petistas ao projeto político do governador João Azevedo, que inclui sua candidatura ao Senado Federal, e a de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado. Luciano Cartaxo já se antecipou que apoiará o projeto de João Azevedo, reclamando que o PT está demorando demais a tomar uma decisão. 

O mesmo ocorreu com o deputado estadual Luiz Couto, histórico militante da legenda, que declarou seu apoio ao atual governador, que o recebeu muito bem, argumentando que o PT caminha junto ao PSB há sete anos. A deputada estadual Cida Ramos, que dirige o PT no estado, reclamou da postura dos apressadinhos, informando que não há nada decidido a este respeito. Aliás, o PT nunca esteve tão indeciso como agora, uma vez que há uma articulação "pesada", com ramificações em Brasília, encetada por atores estratégicos, que deseja que o PT caminhe ao lado do prefeito Cícero Lucena. Em tese, João tem razão quando argumenta que talvez houvesse um caminho natural no apoio da legenda aos socialistas, mas em política tudo é possível. 

A direção do PT tem dialogado com ambos os candidatos, recebendo-os em sua sede ou participando dos eventos de lançamentos das pré-candidaturas. Cícero já chegou a propor que o PT possa indicar um candidato ao Senado Federal na composição da chapa. Oficialmente, nenhuma decisão tomada até o momento. Essas antecipações não alteram em nada os movimentos do tabuleiro oficial petista. O PT pode até tomar uma decisão oficial em apoio ao nome de Cícero Lucena e entender como natural que seus membros vinculem-se a outra candidatura. Isso, no passado, poderia significar uma expulsão sumária da legenda. Hoje, tenho cá minhas dúvidas. 

Editorial: Tarcísio e Bolsonaro. O grande encontro.


Há uma grande expectativa em torno do encontro entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra cumprindo pena na Papudinha. Ao que se sabe a iniciativa partiu do governador. De olho no lance, como diria Sílvio Luiz, para não perdermos nenhum movimento importante neste tabuleiro político. Especula-se, por exemplo, que seria o momento de Tarcísio de Freitas sepultar, em definitivo, suas pretensões ao Palácio do Planalto, em 2026. Outros observadores acreditam que não. Tarcísio tem uma reeleição assegurada em São Paulo. É imprudente largar o certo pelo duvidoso, principalmente depois do processo turbulento em que está se tornando esta definição de uma candidatura de centro-direita. 

Apesar dos apoios recebidos, Flávio Bolsonaro ainda não convence alguns setores conservadores acerca de sua viabilidade eleitoral. Dizem que o Planalto até torce pela consolidação de sua candidatura. Ele, que precisava acenar para uma linha menos radical, à medida em que o tempo passa, tem se tornando um bolsonarista renhido, alimentado a intermitente polarização política que pode favorecer o PT. Aliás, alguns observadores mais entusiasmados estão dando como certa a reeleição de Lula. O morubixaba petista teria um quarto mandato pela frente. Bolsonaro teria algo mais premente com que se preocupar neste momento, como o seu estado de saúde, que não é nada bom. Sua defesa tenta uma prisão domiciliar, mas as coisas estão difíceis junto ao STF. Gilmar Mendes negou o pedido.

Bolsonaro vai pedir a Tarcísio o apoio do governador ao projeto de Flávio Bolsonaro? Tarcísio diria a ele que ainda alimenta alguma expectativa de uma candidatura presidencial? Especula-se que o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, poderia compor a chapa de Flávio como candidato a vice-presidente. Caso isso se confirme, os dois nomes mais competitivos do campo conservador em disputa ao Senado pelo estado de São Paulo estão fora do páreo. Sabe-se que se Tarcísio de Freitas optar pelo projeto de reeleição muda toda a configuração de disputa política naquela praça. Se ele não for candidato, até Fernando Haddad se sente habilitado a entrar no páreo. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Editorial: Camilo Santana poderá ser o sucessor de Lula.



Há alguns dias atrás líamos uma matéria sobre as especulações em torno de um eventual sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso, claro, apenas em 2030, uma vez que o morubixaba petista dá todos os indicadores de que será candidato a mais um mandato em 2026. Se eleito, cumprirá o seu quarto mandato, algo inédito em nossa história republicana. Pairam sempre muitas controvérsias em torno deste assunto, uma vez que o próprio Lula nunca se preocupou em preparar alguém como seu sucessor. O mais próximo disso atende pelo nome de Fernando Haddad, que passa por um verdadeiro purgatório no Ministério da Fazenda, diluindo sensivelmente suas chances de se posicionar como herdeiro político do petista. 

Mesmo assim, ao que se sabe, deverá deixar a pasta da Fazenda para ajudar no projeto de reeleição de Lula. Uma candidatura é pouco provável. O mais previsível é que ele se torne uma espécie de coordenador de campanha. Camilo Santana, por outro lado, está com a bola cheia, pois guarda alguns trunfos importantes, como a vitória de Elmano de Freitas, nas eleições de 2026, único caso no Brasil onde o candidato ao Senado Federal conseguiu eleger o governador de Estado. A situação do Ceará, como se sabe, principalmente no quesito segurança pública, não é nada boa. Em 2026 teremos uma prova de fogo, quando se sabe que Elmano deverá candidatar-se a reeleição, enfrentando uma frente de centro-direita encabeçada por ninguém menos que o veterano Ciro Gomes. 

Se o PT conseguir sair vitorioso daquelas eleições, com o apoio inestimável de Camilo Santana, aí sim ele se credencia de vez como sucessor de Lula, desbancando figuras históricas ligadas ao petismo, a exemplo de Rui Costa. Como se trata de um projeto ainda para 2030, torna-se prematuro se fazer alguma previsão. Até lá, muita água vai rolar. Imaginem os senhores os petardos de "fogo amigo" que serão dirigidos ao aspirante de sucessor ate 2030. Se caboclo não tiver uma couraça fortalecida, acaba se queimando. Esse prestígio de Camilo no Planalto decorre, em parte, do Programa Pé de Meia, apresentado então como um grande trunfo do Palácio do Planalto, assim como foi o Bolsa Família em épocas passadas. Hoje, porém, sugere-se que o Governo Lula 3 prepara outros temas para os debates das eleições presidenciais de 2026. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Editorial: Protestos antigovernamentais se espalham no Irã.



Nem o filósofo Michel Foucault conseguiu prever até onde iria os perigos de um estado teocrático no Irã. No início da Revolução Islâmica ele escreveu alguns artigos em jornal italiano enaltecendo o processo revolucionário naquele país, principalmente em relação à derrubada da monarquia representada pelo Xá Reza Pahlavi, apoiada pelo Ocidente. Seus críticos aproveitaram esses artigos para criticarem duramente o filósofo, embora cometendo o gravíssimo equívoco de associá-lo aos rumos que a Revolução Islâmica tomou no país, fomentando um estado teocrático autoritário, caracterizado por tolher a liberdade dos indivíduos, principalmente as mulheres. Nos últimos dias, o Irã tem enfrentado grandes protestos de rua, que começou em razão das dificuldades econômicas da população, mas que hoje se estendem contra os líderes da Revolução Islâmica, em alguns casos, pedindo a volta da monarquia. 

São os ciclos da História, por vezes adulterados com propósitos escusos, como no caso dos críticos de Michel Foucault, quando se sabe que ele nunca se identificou com os rumos autoritários do regime islâmico. Se ele errou, errou na previsão acerca dos rumos tomados pela Revolução Islâmica. Os Estados Unidos, que já atacaram o país até recentemente, em manobra conjunta com Israel, alertam que tomarão medidas se os protestos forem reprimidos pelo Governo do país, que já alertou que, se isso ocorrer, atacarão alvos de interesse dos Estados Unidos na região. Isso é bastante complicado, principalmente quando se entende que os Estados Unidos estão com o dedo no gatilho. Em tais circunstâncias, convém não provocar. 

Dedo no gatilho e ameaças veladas, como vem advertindo o presidente Donald Trump, que reafirma que os "ajustes" não se encerram com a tomada do poder na Venezuela. Consoante sua política exterior, evidentemente há outros problemas globais e regionais que, neste momento, podem ser "resolvidos" pela diplomacia da força, conforme matéria da revista Veja desta semana. Uma questão que deve deixar o Planalto de orelha em pé é a agilidade com que a Venezuela libertou seus presos políticos, fato bastante comemorado pelo Governo dos Estados Unidos. Aliás, foi o Tio Sam quem determinou, chamando a atenção sobre o caleidoscópio americano sobre as arranjos no continente latino-americano. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Editorial: Os bastidores da queda de Maduro na Venezuela.


Aos poucos, estão chegando ao conhecimento de um público maior os bastidores que culminaram com a deposição do presidente Nicolás Maduro, na Venezuela. Hoje se sabe, por exemplo, que antes foi sugerido à família Maduro um exílio no exterior e um acordo para que ele se afastasse do poder e permitisse que os Estados Unidos administrassem a cadeia produtiva do petróleo no país. Maduro teria pedido mais três anos, tempo demasiadamente longo para os interesses americanos na região. Esses acordos teriam sido discutidos com representantes do Governo dos Estados, das petroleiras americanas e representantes do governo da Venezuela. Não se chegou a consenso na mesa de negociações e a solução encontrada foi apeá-lo à força da presidência. 

Isso talvez explique os atenuantes das acusações que hoje são imputadas ao ex-presidente venezuelano. Ele já não é mais o capo do Cartel de Los Soles. Interessante observa, por outro lado, as regras ditadas pelo Tio Sam no que concerne à condução da economia e a da política no país latin0-americano. Cada uma mais pesada do que a outra e a presidente Delcy Rodriguez, sem  alternativa, trocando nomes da gestão para se adequar melhor às normativas impostas. Delcy Rodrigues poderá ter um momento de paz relativa, uma vez que o Governo Trump também emitiu recados aos aventureiros de plantão. Quem tentar alguma coisa contra ela poderá receber a visita da Força Delta. Sabe-se que todo o núcleo duro do chavismo continua no poder na Venezuela.

Quem deve estar bastante decepcionada com este arranjo é Maria Corina Machado, que chegou a acreditar que o problema na Venezuela era o chavismo. O que sempre estiveram em jogo foram os interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos na região. No dia de ontem, 07, até petroleiros com bandeira russa foram interceptados por forças militares americanas. O mar do Caribe tornou-se um campo minado. Pelo que se sugere, não apenas drogas são contrabandeadas por suas águas. Os Estados Unidos já assinalaram que a gestão do petróleo pelo governo americano é por tempo indeterminado. Há três momentos no projeto de transição. Sabe-se lá quando chegaremos à terceira fase ou se chegaremos. 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Editorial: Nunca foi pela democracia II



O presidente Donald Trump já emitiu várias sinalizações de que a transição que deve ocorrer na Venezuela, depois da deposição de Nicolás Maduro, não passa por Maria Colina Machado, tampouco pelo presidente legitimamente eleito na última eleição, Edmundo Gonzáles, ainda exilado no exterior. Existem algumas bravatas públicas em relação a vice, Delcy Rodrígues, mas sugere-se que seja tudo ensaiado, ao estilo do Estado Espetáculo. Na realidade, as costuras bilaterais são sólidas no sentido de que ela assuma o comando do país. Os interesses norte-americanos na região estarão assegurados, o que inclui a permissão para empresas americanas exploraram a produção de petróleo, assim como possíveis reorientações da política comercial e do exterior, principalmente com países como a China, o Irã e a Rússia. Isso nos faz lembrar da década de 60, quando a antiga União Soviética instalou mísseis com ogivas nucleares na ilha cubana, provocando um grande embate diplomático entre os Estados Unidos e aquele país, episódio que ficou conhecido como A Crise dos Mísseis Cubanos. 

Além da questão crucial do petróleo venezuelano, assim como na década de 60, existe ali uma questão geopolítica de suma importância para os interesses norte-americanos no continente. A presença comercial da China, a "assessoria" militar russa e, possível lavagem de dinheiro que financiam grupos terroristas islâmicos. A China foi um dos países que mais condenaram a ação dos Estados Unidos. Não foi por acaso. Os Estados Unidos devem limpar o terreno, tudo consoante acordos já firmados com o governo de transição. Uma nova Invasão da Baía dos Porcos nem pensar. Uma solução caseira esta de bom tamanho. O nome de Delcy Rodrigues atende a esses requisitos. O judiciário está com ela, as forças armadas chavistas, além do parlamento. O mais inusitado desta situação é que núcleo duro do chavismo continua intacto, seja em relação ao comando das forças militares, os serviços de inteligência e os milicianos. O seja, a ditatura chavista não caiu com a captura de Nicolás Maduro, o que significa dizer que nunca foi pela democracia. 

Existe, por outro lado, um caminho aberto para um novo golpe de Estado no país,  se considerarmos o conjunto de forças que gravitavam em torno de Nicolás Maduro e que hoje estão órfãos, a exemplo, dos serviços de segurança e inteligência que operavam dentro e fora do país, integrado por cubanos e venezuelanos. Seria aquela núcleo duro, menos infenso às ordens de Delcy Rodrigues. O que se diz é que Delcy Rodrigues era de uma ala chavista ainda mais radical do que aquela representada por Nicolás Maduro. Outro grande problema é ela não cumprir com o acordado, o que significaria uma intervenção ainda de maior proporção, conforme já antecipada por Donald Trump.  

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Charge! Thiago Lucas via Jornal do Commércio.

 


Editorial: As "baixas" do Governo Lula em 2026.



Ano de eleições, muitos auxiliares do Governo Lula 3 devem deixar a Esplanada dos Ministérios. Como há dezenas de ministérios, algumas saídas não ultrapassam os limites das formalidades burocráticas, em razão das entregas limitadas das pastas dos seus titulares. Lula, no entanto, tem dois abacaxis complicados para descascar em 2026. Acomodar essas mudanças consoante às suas articulações políticas de olho no projeto de reeleição - o que significaria recompor as alianças com partidos de centro-direita - e resolver a indicação de nomes que possam substituir nomes estratégicos de sua gestão, a exemplo do Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e da Defesa, José Múcio Monteiro. O tema da segurança pública será decisivo nas eleições presidenciais de 2026 e o Governo Lula 3 ainda não se ajustou neste quesito. 

A indisposição com a Oposição é evidente e isso deve ser tema recorrente nos debates e nos discursos em praça pública. A Oposição, aliás, torce que o Governo Lula 3 "sangre" até outubro. Lewandowski tem dito a interlocutores que sairia por questões pessoais e que pretende descansar. Um bom e pertinente argumento. Nos bastidores, no entanto, o que se diz é que ele não concorda com a proposta do Planalto em desmembrar sua pasta, criando o Ministério da Segurança Pública. José Múcio, por sua vez, desde o ano passado insiste em deixar o Ministério da Defesa. Quer voltar para a sua terra, aproveitar os dias com a família. Em tese, já teria fechado algum acordo com Lula neste sentido. Agora Lula se vê diante da contingência de substitui-lo num momento crucial, de crescimento das tensões militares no continente. Em princípio, a decisão de Múcio ainda permanece. 

As tensões militares no continente sul-americano só tendem a aumentar nos próximos dias. Generais ligados a Nicolás Maduro prometem resistência; os Estados Unidos sinalizam que as intervenções não cessaram com a captura de Maduro, o que pode significar ações em outros países, a exemplo do México e da Colômbia; tropas brasileiras estacionadas em Roraima estão de prontidão. O Governo Lula, que foi bastante contundente na condenação ao ataque Yankee à Venezuela, passou a adotar uma narrativa mais modulada ou branda. Sabe o que significa tensões diplomáticas, comerciais ou até mesmo militares com o Tio Sam. 

Editorial: O julgamento de Nicolás Maduro.



Não vai aqui nenhum ironia, mas apenas a referência a um fato que remete a uma situação inusitada. A Justiça da Venezuela decretou a prisão dos envolvidos no sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro. Resta saber como esta ordem de prisão será cumprida. Já vestido com uniforme de prisioneiro, ontem foi a vez de Nicolás Maduro ser ouvido, numa audiência de custódia, apenas para o cumprimento das formalidades de praxe, uma vez que todo o processo envolvendo o ex-presidente é marcado por inúmeras controversas jurídicas, a começar pela afirmação de que ele, supostamente, chefiava um cartel de drogas, o Los Soles. Os estados unidos tem acesso a muitas fontes de informações e conta, inclusive, com os préstimos da delação premiada de Hugo Carvajal, ex-homem forte do chavismo, mas que se tornou dissidente e fugiu para os Estados Unidos, onde se encontra preso. 

Hugo Carvajal teria documentos que provam essa relação entre o dirigente venezuelano e o cartel de Los Soles. Ao cidadão comum, fica apenas o conhecimento acerca da circulação dessas informações, quando se sabe que algumas delas possivelmente nunca chegarão ao público. Por razões de segurança, por exemplo, apenas no dia de ontem o presidente Donald Trump comunicou ao Congresso a operação que capturou Nicolás Maduro. Razões de Estado. Mancando, Nicolás Maduro ainda conseguiu levantar a cabeça quando se aproximava do tribunal para a audiência. No geral, ele não vai bem. Sugere-se que tenha algum problema de mobilidade.

Durante a audiência, Maduro alegou inocência, mas isso tem o mesmo efeito da alegação de alguém detido, durante o banho de sol numa prisão, ou seja, nenhum, mesmo que por vezes procedente. Acredita-se que, na melhor das hipóteses, ele poderá cumprir uma prisão perpétua. Em tais circunstâncias, não conseguimos entender muito bem em que situação uma delação premiada poderia favorecê-lo. Em princípio, se a pessoa alega inocência, não está muito afim de delatar ninguém. Muito mais do que o eventual envolvimento com os cartéis de drogas que operam na região, outro grande temor de uma delação premiada do líder venezuelano estaria relacionada aos financiamentos de campanhas presidenciais de aliados no continente. Isso é uma dor de cabeça. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Editorial: Nunca foi pela democracia.


O grande filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, num dos seus textos mais emblemáticos, Para Além do Bem e da Mal, nos faz um alerta contundente acerca dos discursos. A verdadeira intenção de um discurso, segundo o filósofo, não está naquilo que ele revela, mas naquilo que ele esconde, que é a verdadeira essência de um discurso. O Governo de Cuba admite que 34 agentes que faziam a segurança do ex-presidente Nicolás Maduro - possivelmente agentes do Serviço Secreto de Cuba - foram mortos na operação realizada pelos Estados Unidos no último sábado. Esse número deve ser superior, uma vez que várias foram realizadas várias manobras de neutralização de forças militares que poderiam esboçar alguma reação ao ataque. Oficialmente, fala-se em 8o mortos. Pelo andar da carruagem, nem por aqui chegaremos a algum consenso. 

O Governo dos Estados Unidos nunca esteve preocupado com a normalização da democracia naquele país. Parafraseando Nietzsche, trata-se da parte visível do discurso. Um bom exemplo disso é a notória indisposição de diálogo com Maria Corina Machado e com Edmund González, que, se as eleições foram realmente fraudadas, era quem de fato deveria assumir, democraticamente, o comando do país. Corina foi proibida de participar das eleições, momento em que Edmund González assumiu a candidatura. Depois das eleições, exilou-se no exterior. Se a questão em jogo fosse o respeito às regras democráticas, naturalmente, o diálogo estaria aberto com ambos. Donald Trump já sinalizou que não quer nem conversa com os dois, numa clara demonstração de que eles não são atores confiáveis aos projetos norte-americanos para o país. 

Com a vice de Maduro, Delcy Rodrígues, teria havido um diálogo cabuloso meses antes do ocorrido. Ela teria se prontificado a permitir qualquer ingerência do Governo dos Estados Unidos no país. Por outro lado, para a claque chavista, o discurso é de soberania, de condenação veemente da operação americano no país. Dizem que ele seria de uma ala até mais radical do chavismo. Donald Trump já avisou que ela não deve encampar o processo de transição no país. Se insistir, as consequências poderão ser até mais traumáticas. No Brasil, sabe-se lá aconselhado por quem - certamente não teria sido por Celso Amorim - Lula passou a abrandar ou modular o discurso, evitando se indispor com os Estados Unidos. 

Na realidade, estamos diante de um novo colonialismo. Tem muita gente mais interessados nas terras raras e nas reservas de petróleo de Essequibo. A Venezuela possuí as maiores reservas de petróleo do mundo, que serão agora exploradas por empresas petrolíferas americanas. No contexto das relações econômicas globais, isso poderia fragilizar a capacidade de investimentos militares em países como a Rússia, em razão da baixa do preço do combustíveis. Isso é estratégico para a manutenção da hegemonia militar dos Estados Unidos. As terras raras e os minerais valiosíssimos para a indústria bélica, encontrados com abundância em terras brasileiras, igualmente entram neste contexto, mas isso já é uma outra discussão. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Editorial: A segunda fase da operação dos Estados Unidos na Venezuela.



A edição do Jornal do Commércio de hoje, 04, é quase totalmente dedicada ao que ocorre na Venezuela. Do editorial à charge de Thiago Lucas. O mesmo deve ter ocorrido com outros jornais pelo país afora. O assunto é realmente bastante preocupante, com inúmeros desdobramentos, desde a implantação de um governo de transição naquele país, assim como em relação à exploração das jazidas de petróleo venezuelanos por empresas norte-americanas. Na realidade, a principal motivação da invasão, o que deve representar uma encrenca gigantesca para todo o continente, principalmente depois da descoberta de novas fontes em país vizinho à Venezuela. 

Há ainda poucas informações acerca da operação realizada no território venezuelano pelos Estados Unidos. Sabe-se, no entanto, segundo informações do jornal The New York Times, que havia um informante da CIA monitorando todos os passos do presidente venezuelano. Momentos antes da captura, ele ainda tentou se esconder num bunker, mas não logrou êxito. Uma cápsula de aço à prova de tudo. Donald Trump deu vários declarações sobre o assunto, cada uma delas mais preocupantes do que a outra. Há inúmeras divergências, por exemplo, sobre como seria este governo de transição até as coisas se normalizarem. As coisas só vão se normalizarem, entende-se, consoante os interesses do Governo Trump e das petrolíferas norte-americanas. Não mais no campo diplomático, mas militar. A soberania venezuelana foi para o espaço. 

Talvez seja por isso que Trump já deu declarações indicando que uma solução que passasse por Maria Corina Machado não seria bem-vinda. Muito menos ainda pela vice de Maduro, Delcy Rodríguez, que a justiça do país já determinou que deve assumir o cargo. O destino de Maduro é tão previsível quanto complicado. Vai a julgamento já preventivamente condenado, tratado como um narcoterrorista. Não nos surpreenderia que ele tenha o mesmo destino de Joaquín Gusmán,  o El Chapo, mantido numa prisão de segurança máxima, passando por sérios problemas psicológicos. Por falar neste assunto, Nicolás Maduro chegou meio grogue em território norte-americano, desejando feliz ano novo aos agentes do FBI. 

Donald Trump orgulha-se de ter acompanhado todo o desenrolar da operação liderada pela equipe de forças especiais do Exército Norte-Americano, a Força Delta. Era como quem assiste a um filme, segundo ele. Sua assessoria militar informou que apenas um país teria as condições de realizar uma operação tão complexa como aquela. Há um equívoco aqui. As forças especiais de Israel, com o suporte do MOSSAD, já demonstraram que são capazes de realizá-las, como ocorreu em Entebbe, Uganda, quando vários tripulantes israelenses sequestrados em um avião foram resgatados. Encrenca pesada para o continente. Salvo melhor juízo, numa dessas declarações, o presidente Donald Trump teria sugerido que o episódio é um recado para quem questiona a hegemonia norte-americana no continente. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Editorial: Estados Unidos atacam a Venezuela e capturam Maduro.



Mais um exemplo emblemático daquele ano que não terminou, segundo a matéria da revista Veja, que comentamos por aqui. Há algum tempo os Estados Unidos realizam manobras militares no Mar do Caribe, concentrando ali um grande contingente militar. Perdoem-nos pelo trocadilho, mas tudo estava "maduro", perfeitamente dentro das possibilidades. Nos últimos dias ocorreram dois ataques dos Estados Unidos em solo da Venezuela, um deles sob a coordenação da CIA, supostamente em local de refino ou processamento de drogas. Estava evidente que logo viria um ataque em proporções maiores, como o realizado nesta madrugada, que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Em vão a estratégia adotada pelo serviço de inteligência daquele país latino-americano, com o objetivo de proteger o presidente Nicolás Maduro. 

Dizem que ele nunca dormia mais de uma noite num único local. Isso seria o de menos. As manobras e  tessituras utilizadas pelos serviços de inteligência são escabrosas. Num dos momentos em que a CIA tentou matar Fidel Castro, articularam com uma amante do comandante o seu envenenamento. Fidel gostava de uma determinada bebida - salvo melhor juízo, uma vez que tentaram matar Fidel mais de 360 vezes - e a amante tinha a missão de colocar o veneno neste drink. Na última hora ela desistiu do intento. O arsenal dessas  é gigantesco. O que não faltam são traidores dispostos a receberam milhões de dólares para entregar a cabeça dos seus chefes. O presidente Lula reagiu, como prevíamos no dia de ontem, 02, veementemente à agressão dos Estados Unidos ao país vizinho. Vamos aguardar os desdobramentos do episódio no campo diplomático. 

Os informes de autoridades norte-americanas sinalizam que o presidente Nicolás Maduro - que não é tratado pelos Estados Unidos como presidente de um país - já se encontra em solo americano aguardando julgamento. Na realidade, o Governo Norte-Americano já tem um veredicto sobre Nicolás Maduro. Há muito tempo ele é acusado de estar mancomunado com os traficantes que operam na região. A ação do Governo Americano, coincidentemente, ocorre num momento em que Donald Trump já advertiu o Governo do Irã que não iria tolerar as agressões aos manifestantes que se mobilizam nas ruas da capital, em protestos contra a situação econômica e política do país. A foto acima foi divulgada recentemente, mas carece ainda de confirmação. Há quem esteja dizendo que Madura teria sido morto na operação. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Editorial: A posição do Brasil sobre a ingerência dos Estados Unidos na Venezuela.



Por dois momentos já foram anunciadas intervenções militares dos Estados Unidos no espaço territorial da Venezuela. Uma delas perpetrada pela CIA, produzindo estragos consideráveis num alvo que, a princípio, seria um local de produção ou refino de drogas. Quando os Estados Unidos e o Brasil sentaram à mesa de negociações, este foi um dos temas mais especulados. Os Estados Unidos teriam fechado algum acordo com o Brasil no tocante as eventuais intervenções militares no país vizinho? Nunca vamos saber exatamente o que foi negociado, mas sugere-se que os Estados Unidos irão cumprir à risca seus objetivos em relação ao continente latino-americano, especialmente na Venezuela. Hoje o site Metrópoles traz uma matéria acerca das possíveis recomendações de Lula aos seus assessores em relação ao assunto: repelir ou condenar as eventuais agressões. 

Tudo dentro da linha do que defende o seu assessor direto para assuntos internacionais, Celso Amorim. Não há como esta situação terminar bem. No caso da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, o que se sabe é que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, teria fechado um acordo nada interessante, apenas para evitar maiores problemas. Num primeiro encontro na Casa Branca ele se mostrou bastante contrariado com a proposta. Desta última vez ele se mostrou mais conformado ou resiliente. Segundo alguns observadores, os planos de Donaldo Trump para o continente são gigantescos. Há suspeitas, inclusive, de operação de grupos terroristas financiados pelo Irã operando na região. São informações da unidade de inteligência dos americanos. Algo que não pode ser descartado. 

Trata-se de uma luta contra o terrorismo, uma vez que os traficantes também estão sendo enquadrados neste perfil. O Governo dos Estados Unidos até sugeriram que o Brasil enquadrasse as facções do crime organizado neste escopo, mas não houve um consenso em torno do assunto. Apenas para fecharmos o editorial, acabamos de saber que centenas de presos soltos na saidinha de Natal não se apresentaram às suas unidades prisionais de origem, reforçando as teses da Oposição e ampliando o hiato desta com o Governo Lula 3.