O caso da agressão e ameaça de morte dirigida às estudantes Stephannye
Vilela e Kellayne Martins, pelo Partido Comunista Revolucionário,
precisa ser analisada sem açodamento ou precipitações do tipo:
comunistas são, necessariamente, homofóbicos. Percebo que algumas vozes,
tentam, deliberadamente, estabelecer essa vinculação.
Pelo relato das estudantes houve, de fato, as agressões e, segundo elas
mesmas, os integrantes da legenda não aceitam a relação homo-afetiva
mantida por ambas. Nos parece haver, entretanto, outras motivações no
episódio, como a eleição para a liderança do movimento estudantil, onde
ambas foram eleitas pela agremiação, e depois se desligaram da legenda.
Não há nenhuma justificativa para agressão, condenada em ambas as
motivações. Por se tratar de um partido radical, sem um padrão de
institucionalização acentuado, é bem possível que ainda haja resquícios
de resistência sobre o comportamento sexual dos seus membros, o que já
não ocorre com outras agremiações congêneres, de esquerda, já bastante
aplainada pelos valores da democracia, respeitando as orientações e as
opiniões dos "outros" e pautando-se pela "tolerância". Boa parte das
agremiações de esquerda no Brasil possuem seus núcleos organizados de
LGBTTTs. Para essas agremiações, a democracia - como afirmava o ensaísta
Carlos Nelson Coutinho - tornou-se um valor universal. Em décadas
passadas, de fato, as coisas eram bem mais obscuras: o professor Flávio
Brayner estudou a história do Partido Comunista em Pernambuco. Sua
dissertação de mestrado, que aborda o tema, foi vencedora de prêmio
Nelson Chaves, instituído pela Fundação Joaquim Nabuco. Brayner
costumava apresentar suas conclusões por ocasião dos famosos seminários
do CFCH. Certa vez, comentando sobre o controle exercido pela direção
do partidão sobre o comportamento dos seus filiados - sob o prisma da
ideia de partido guia ou do "centralismo democrático" - informou que a
ingerência era de tal ordem que os filiados não poderiam "fazer justiça
com as próprias mãos". Imaginem!!!
A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas lançou nota de repúdio à violência sofrida pelas líderes estudantis:
ResponderExcluirUBES REPUDIA VIOLÊNCIA CONTRA SECUNDARISTAS EM RECIFE
São Paulo, 25 de Setembro de 2013
Agressão física e ameaças de morte às presidentes das entidades secundaristas de Recife (UESPE e a ARES) configuram cenário de homofobia e falta de respeito à decisão democrática de desfiliação partidária
A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) declara publicamente seu total repúdio às ameaças e violências – físicas e psicológicas - que as líderes estudantis Stephannye Vilela e Kellayne Martins, presidentes da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE) e da Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas (ARES), denunciaram na última segunda-feira (23/9) na sede da OAB-PE.
A diretoria da UBES, que defende a liberdade individual de opinião, a livre orientação sexual, assim como a organização democrática dos estudantes em respeito à pluralidade de ideias, declara-se contra toda forma de opressão, especialmente neste caso, caracterizada por comportamentos que vão contra as bandeiras de luta da entidade. A UBES defende, declaradamente, o combate às repressões sofridas por estas e tantas outras jovens mulheres que engrossam as fileiras do movimento estudantil.
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