Há quem sugira que, em algum momento, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, possa voltar à política. É pouco provável, diante das atuais circunstâncias, onde ele está bem satisfeito no cargo que ocupa, tendo atingido o ápice de sua carreira jurídica. Se voltasse seria bem-vindo, afinal, o sistema político carece de homens com seu espírito público. No STF o ministro tem se notabilizado por sua cruzada moralizadora em relação ao uso dos recursos públicos. Merece nosso reconhecimento o trabalho desenvolvido pelo ministro no que concerne à necessidade de se estabelecer normas republicanas na concessão, destinação, finalidade e prestação de contas das emendas do orçamento.
Isso tem produzido algumas indisposições com o Legislativo, que considera uma ingerência indevida em suas atividades, mas não é este bem o caso. O que está por trás disso o brasileiro comum sabe o que é. As recomendações do STF no tocante a este aspecto foram modificadas pelo parlamento, não acatando o que havia sido determinado. O impasse permanece e tende a agravar-se, se considerarmos aqui os primeiros pronunciamentos dos novos dirigentes do Poder Legislativo, eleitos depois de assumirem compromissos de contraposição e enfrentamento, com os votos de uma bancada conservadora, com duras rusgas contra o Poder Judiciário.
No dia ontem, 12, a Polícia Federal indiciou juízes, desembargadores, advogados, todos envolvidos no escândalo de vendas de sentença no Maranhão. De sua poltrona no STF, Flávio Dino tomou medidas contra os supersalários do Poder Judiciário, assim como mostrou-se contrário ao pagamento dos penduricalhos retroativos, que inflam esses recebimentos a milhões de reais, pagos no contracheque dos beneficiários. Somente com as folhas regulares, acrescida, por vezes, com esses penduricalhos, o país possui o Judiciário mais caro do mundo. E os caras ainda vendem sentença...
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