O Brasil é um dos poucos países do mundo que possui um sistema de avaliação que engloba todos os ciclos de ensino, da educação básica a pós-graduação. Daí a nossa estranheza com uma matéria da Folha de São Paulo, onde o articulista sugere a possibilidade de o Governo está se recusando a divulgar os dados de uma das séries, se estou certo o segundo ano, da educação fundamental, dados aferidos pelo SAEB - Sistema de Avaliação do Ensino Básico. Está de parabéns o jornalismo da Folha por realizar uma matéria tão bem apurado sobre o assunto, ouvindo todas as partes envolvidas, desde a cúpula dirigente do ENEP, assim como servidores do órgão, abrindo -se ao contraditório, como tem que ser.
A argumentação do MEC, a quem o ENEP está subordinado, se sustenta em critérios técnicos, mas não se descarta a eventualidade da possibilidade de alguma motivação política. Há alguns anos, quando mantínhamos um acompanhamento mais efetivo do processo educacional, chegamos a produzir um artigo sobre o IDEB, que sofreu restrições, ao apontar que, no ritmo de desenvolvimento dos escores obtidos, não chegaríamos a atingir os níveis previstos para a nossa entrada na OCDE, que já foi um grande objetivo do país num outro momento. O artigo foi retirado de um site institucional.
Não vamos aqui entrar nos pormenores, mas não deixa de ser preocupante que fatos dessa natureza ocorram, seja por motivação de falhas técnicas na apuração ou checagens desses dados, seja por motivação política, o que seria até mais grave. Em determinado momento, a reportagem, ouvindo o INEP, sugere a possibilidade de divergências dos dados quando cotejados com outros indicadores, também aferidos com o objetivo de avaliar o desenvolvimento dos alunos nesta série, tanto é que os dados sobre as outras séries foram divulgados. Se for assim, menos mal.
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