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Crédito da Foto: Ricardo Stuckert |
Na última vez que fomos à Bahia, fizemos um longo percurso do aeroporto Luiz Eduardo Magalhães até o bairro central da Barra, em Salvador. Salvou o cansaço uma longa conversa que mantivemos com o motorista, um senhor negro, filho de santo e petista assumido. De imediato, ao nos queixarmos da distância do aeroporto, ele já foi logo nos informando que, quando de sua construção, o então governador Antônio Carlos Magalhães havia mudado geograficamente os limites da cidade vizinha, onde o espaço foi construído, para estabelecer que ele ficasse nos limites de Salvador, a capital. Ao passarmos pelas famigeradas obras do metrô, ele praticamente ignorou as inúmeras denúncias de irregularidades envolvendo aquela obra, para enaltecer que a mesma estava sendo concluído no Governo do PT.
Ao passamos por um bairro de classe média alta, ele apontou um prédio que, segundo ele, fora construído com o objetivo de abrigar apenas os integrantes da família do babalorixá Antônio Carlos Magalhães. Não podemos confirmar se isso é realmente verdade. Interessado em nossos objetivo de viagem, já foi logo desaconselhando o bairro do Rio Vermelho, principalmente a praia de Itapuã, outrora um grande cartão postal estado. Rio Vermelho tornou-se um bairro boêmio, com grandes referências da família de Jorge Amado, que residiu no bairro, e possui um mercado público hoje até mais festejado do que o tradicional Mercado Modelo, em Salvador. Atrai turistas e visitantes, mas tornou-se um bairro muito violento. Talvez exatamente por isso. Não deve ser mera coincidência a notícia de que a Polícia Civil identificou ramificações da máfia italiana operando em João Pessoa.
À época, ainda era possível tomar uma cerveja gelada na orla da Barra, nos finais de tarde, o que hoje já se traduz num risco. A Bahia tornou-se um dos estados brasileiros com maiores índices de violência. Sempre aproveitamos essas conversas para nos inteirar um pouco sobre o ambiente onde estamos pisando, se é solo seguro, areia movediça, coisas assim. Este é um procedimento de praxe. Evita-se, assim, algumas dores de cabeças possíveis. A Bahia é um estado bastante identitário, onde se recomenda tomar cuidado com as palavras, assim como com as posições políticas. O capital político obtido por um ator naquelas franjas de Dorival Caymmi, é algo que não pode ser perdido. Os baianos mantém há dezesseis anos o PT no Palácio de Ondina. Nas eleições de 2022, Lula obteve 76% dos votos no estado, que é o quarto colégio eleitoral do país.
A última pesquisa do Instituto Futura, mostra que este capital está derretendo. A avaliação positiva do Governo Lula3 é de apenas 26,8%, erosão que também vem sendo constatada em ambientes de aprovação antes consolidados, como era o caso da Bahia. Setores que hoje já ditam os rumos do Governo sugere-se que não estão preocupados com isso. Medidas de ajustes das contas públicas, evitando-se novos gastos e equilíbrio fiscal seriam bem-vindas, assim como o enfrentamento do gravíssimo problema da segurança pública, da saúde, da educação, de forma estrutural, sem os paliativas eleitoreiros, poderiam produzir bons resultados. O Governo, no entanto, optou por programas de cunho imediatistas, consumistas e eleitoreiros. Se continuar nesta pisada, dificilmente conseguirá fazer o próximo presidente. Lula já não conta nem com a proteção dos orixás baianos. Contas públicas em frangalhos, inflação em alta e uma legião de endividados recorrendo ao Nosso Senhor do Bomfim é o mais provável que ocorra.
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