O futuro presidente do PT, Edinho Silva, numa entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, observou que o partido precisaria suar sangue para colocar dez mil pessoas nas ruas. A última concentração do partido e seus satélites, na Paulista, segundo o Monitor do Debate Político, reuniu algo em torno de 6,6 mil pessoas, muito aquém da concentração bolsonarista realizada em Copacabana, com público estimado de 18, 3 mil, considerado um fiasco pelos organizadores, que tinham uma expectativa estimada de algo em torno de um milhão pessoas.
Há muito tempo que as forças do campo progressista estão perdendo as ruas para os bolsonaristas, com uma demarcação ali pelo ano de 2013, onde a direita pegou carona nas chamadas Jornadas de Junho. Sempre que essas mobilizações ocorrem, há uma guerra de número das torcidas organizadas de parte a parte. Os números da USP não correspondem à realidade, os números da PM, caso do Rio de Janeiro ou de São Paulo - estados governados pela oposição - estão irremediavelmente ideologizados. A USP petista e a PM de São Paulo é a PM do Tarcísio de Freitas. O resumo da ópera é que ambas as mobilizações estiveram distante de atender às expectativas dos seus organizadores.
Na realidade, o termo torcida organizada casa-se bem a esta análise, uma vez as ruas ainda não estão mobilizadas em torno deste assunto. Segundo o IPESP, do cientista político Antônio Lavareda, 66% da população acha que Jair Bolsonaro será condenado, enquanto 29% acham que ele será inocentando. Ontem esses dados foram discutidos durante um programa mantido pelo cientista político, ao lado da jornalista Clarissa Oliveira, na CNN - Brasil. Institucionalmente, o PL da Anistia está sendo fragilizado, depois dos últimos pronunciamentos de Hugo Motta sobre o assunto. Aliás, recentemente ele comunicou que pretende ouvir Governo e Oposição sobre o assunto. O STF, por sua vez, já formou maioria em torno do assunto. Não está previsto na Constituição Federal. As mobilizações de rua podem ter um peso sobre o assunto, mas, conforme advoga o jornalista Josias de Souza, em sua coluna do UOL, pelo menos por enquanto, as ruas estão mais preocupadas com o preço do ovo.
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