Pelo andar da carruagem política, hoje se entende perfeitamente porque não interessava ao Governo e Oposição a abertura de uma CPMI do Banco Master. O mesmo raciocínio se aplica aos percalços enfrentados pela CPMI do INSS, que precisou ser interrompida antes de concluir suas investigações e teve seu relatório não aprovado. Numa reflexão mais ampla, esses dois fatos dão sua contribuição para entendermos um pouco sobre o enrosco institucional em que estamos metidos. Estamos tratando aqui apenas da ponta do iceberg para não melindrarmos. A CPMI do INSS, por iniciativa do seu relator, o senador Carlos Viana(Podemos-MG), já havia determinado a quebra do sigilo bancário do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o objetivo de desvendar os padrões de relação estabelecidos entre ele e Antônio Carlos Camilo Antunes, um dos principais alvos do escândalo daquele órgão.
Ontem, 30, o Ministro André Mendonça, do STF, autorizou a PF a indiciar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como estamos há dois meses das eleições, o fato tem alcançado ampla repercussão. Salvo melhor juízo, setores da própria Polícia Federal já haviam alertado acerca da necessidade de um prazo maior para a conclusão das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Setores da PF, diante desses novos fatos, entraram com um pedido junto à AGU no sentido de revogar as medidas tomadas pelo Ministro André Mendonça. Estamos tratando aqui realmente de uma situação inusitada. AGU se contrapondo ao STF. Mas, no Brasil, como diria o antropólogo Gilberto Freyre, tudo seria possível.
É bom sempre enfatizar aqui a seriedade e o senso de justiça que conduzem as decisões tomadas pelo Ministro André Mendonça. É salutar que tenhamos na mais alta Corte de Justiça do país alguém com o seu perfil. O excelente trabalho realizado pela CPMI do INSS ainda produz bons resultados, mesmo que aquela CPMI tenha sido abruptamente interrompida e o seu relatório rejeitado. O relatório, produzido pelo deputado federal alagoano, Alfredo Gaspar, que era relator daquela comissão, tratou-se de uma peça impecável. Incomodava aos "intocáveis", daí ter sido solenemente ignorado. Salvo melhor juízo, uma cópia foi entregue ao Ministro André Mendonça, que deve estar se debruçando sobre o seu conteúdo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário