quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Michel Zaidan Filho: O que têm a ganhar os trabalhadores com a próxima eleição?

 

                                        Não bastasse a crise de representação política de nosso sistema partidário e eleitoral, evidenciada pelas "jornadas de Junho" do ano passado, os candidatos em disputa pela cargo do governo estadual estão muito longe de "representar" os interesses dos trabalhadores pernambucanos. Um, por ser oriundo da burocracia estadual, ungido pelo ex-governador de PE, seu primo em quinto grau. O outro, por ser empresário e a favor da redução (ou eliminação dos direitos trabalhistas). Trata-se, sem dúvida, de uma disputa de interesses políticos, mas não necessariamente republicanos ou de interesse público ligado à massa trabalhadora do nosso Estado. Neste caso, como em muitos outros, as siglas partidárias não significam absolutamente nada. Houve uma espécie de erosão semântica no nome das legendas que abrigam as pretensões políticas de uns e outros. Senão, vejamos. O auto-denominado "Partido Socialista Brasileiro" (PSB)  foi capturado por uma oligarquia familiar, tradicional do Estado de Pernambuco. O presidente deste partido, aqui em Pernambuco, era o professor e filósofo Walteir Silva. Uma pessoa de uma integridade política e pessoal acima de qualquer dúvida. O Dr. Walteir Silva teve a sua legenda praticamente ocupada pela família Arraes e seus correligionários íntimos. 0 PSB tornou-se um patrimônio dessa família, passado de avô para neto o controle da legenda, como uma espécie de latifúndio partidário para exploração de interesses familiares. É de se perguntar o que tem de "socialista", "operário", "trabalhista", uma legenda política que foi capturada por uma oligarquia familiar? - No que tem de "novo" é a  proximidade ideológica com o PSDB, ou seja a agenda gerencial do Estado brasileiro. Mas aí é que não tem nada a ver mesmo com o interesse da massa trabalhadora: privatização, Estado mínimo, publicização dos serviços públicos, demissão dos servidores públicos etc.
                                            E o chamado "Partido Trabalhista Brasileiro" dos Patrões e Empresários?- Esse é uma piada semântica. Seu representante é de uma família de tradicionais usineiros do Estado. Como empresários distinguiram-se em discutir como utilizar recursos do BNDES para suas empresas pouco eficientes e competitivas. Sempre que convidados a discutir publicamente suas teses na Universidade, enviaram prepostos ou se desculparam por não poder ir.  Acho que só o deputado petista João Paulo Lima, por ingenuidade e não por má-fé, acredita no espírito trabalhista desse candidato. As desconfianças começam com a legenda "PTB", entregue pela ditadura militar a Ivete Vargas, para não cair nas mãos do herdeiro de Getúlio - Leonel Brizola, que teve de criar um novo partido - o PDT. De lá para cá, a história do PTB  é a de uma autêntica legenda de aluguel, que passa de mão em mão, desfigurada, sem nenhuma relação com o movimento trabalhista brasileiro, a não ser com o "pelego"  Paulinho da Força Sindical, aluno aplicado do outro superpelego Luis Antonio Medeiros.
                                           É preciso abrir os olhos dos trabalhadores pernambucanos para o embuste eleitoral que se avizinha. Muitos falarão em nome dos trabalhadores, mas provavelmente nunca trabalharão um único dia na vida. Vivem do trabalho e da ignorância dos outros. 

Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador e professor da Universidade Federal de Pernambuco

Nenhum comentário:

Postar um comentário