pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO. : abril 2025
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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Editorial: MEC, finalmente, divulga o resultado do SAEB para o segundo ano.



Estávamos lendo o texto de George Orwell, onde o escritor britânico fala sobre as suas agruras passadas em Paris. O texto é ótimo, tem algumas coisas interessantes, inclusive sobre o estilo de escrita de Orwell neste texto, bem diferente dos livros que o consagraram como um grande escritor, ou seja, o distópico 1984 ou A Revolução dos Bichos.  Havíamos lido originalmente o texto ainda na adolescência, sem aquelas preocupações sobre o estilo do escritor. Relendo-o agora, pode se concluir por outros aspectos importantes, como a arquitetura do enredo, muito bem construída pelo escritor. O livro é de leitura agradável, quase como um diário, dividido em capítulos, todos pensados de forma a se constituírem quase com o mesmo número de paginas. Curiosa essa preocupação do autor. Num determinado trecho, ele que trabalhou em restaurantes, observa que os melhores pratos servidos em Paris, inevitavelmente, vêm temperados com suor e cuspe. 

O mais importante, no entanto, foi o marcador de páginas, que fazia alusão ao grande educador baiano, Anísio Teixeira. Os jornais O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo publicaram matérias sobre uma recusa do INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - Anísio Teixeira - em divulgar os dados levantados pelo SAEB em relação aos índices de alfabetização do segundo ano do ensino fundamental. Ao invés disso, as autoridades do INEP\MEC argumentaram que os dados do Criança Alfabetizada, outro levantamento criado pelo próprio órgão, seriam mais consistentes e relevantes, melhor apurados, mais confiáveis, coisas assim. Argumentos infundados, uma vez que esses dados do SAEB precisariam serem divulgados, até por questões legais, uma vez que recursos públicos foram aplicados em sua realização. Segundo a matéria do Estadão, os próprios técnicos do INEP teriam alertado os dirigentes do órgão sobre essa questão.  

Os órgãos de comunicação não se conformaram com as respostas e continuaram insistindo na divulgação dos dados do segundo ano do SAEB. Esses dados foram finalmente divulgados e se constatou o seguinte: A discrepância de índices entre o Criança Alfabetizada, 56%, enquanto o SAEB aponta o escore de 49%. A diferença, segundo o professor Guilherme Lichaud, professor brasileiro da Universidade de Stanford, consultado pelo jornal, é bastante significativa. Estes indicadores sugerem as dificuldades de se atingir as metas de alfabetização na idade certa, que, conforme enfatizamos numa outra postagem, constitui-se na pedra angular da educação. Quebra-se na emenda e talvez não se conserte mais.  Agora fica evidente porque o INEP havia optado por não divulgar esses dados do SAEB, uma vez que os dados do Criança Alfabetizada são mais favoráveis. O educador baiano, um batalhador por uma educação pública de qualidade no país, com a notícia, se revirou na tumba. 

Editorial: A boca do jacaré se fecha para Lula também no Nordeste.


No dia de ontem, 03, ocorreu um evento organizado pela SECOM, dentro da estratégia do órgão no sentido de melhorar a avaliação do Governo Lula 3. As expectativas são imensas, uma vez o marqueteiro Sidônio Palmeira assumiu a direção da SECOM com o objetivo de reverter os números desfavoráveis no que concerne à avaliação do Governo. Ele está há quase três meses no cargo e os índices continuam desfavoráveis, a cada nova rodada de pesquisa realizada. Lula não falou de improviso, mas, mesmo assim, ainda cometeu uma impropriedade, quando se referiu aos 25 milhões de brasileiros que teriam saído das estatísticas de insegurança alimentar, ao informar que eles  caberiam no estádio do Corinthians. 

Como estamos reiterando por aqui há algum tempo, em casa onde a popularidade é baixa, todos reclamam e ninguém tem razão. Em sua fala, Sidônio chegou a insinuar que o problema da impopularidade do Governo Lula 3 está diretamente relacionada ao desempenho de todos os ministérios, o que, certamente, provocou um mal-estar antes das faíscas que deverão ocorrer daqui para a frente. No final, a bronca ainda teria sobrado para os jornalistas que cobriam o evento, que, ao invés de enaltecer as conquistas apresentadas, insistiam em debater os números desfavoráveis. Assanham-se, inclusive, as disputas internas da base petista, de olho nas eleições presidenciais de 2026, quando se percebe que os números sugerem um exaustão em relação a uma nova candidatura de Lula, agora desaconselhada pelos próprios eleitores ouvidos pelo Instituto Genial\Quaest.  

Segundo dizem, Fernando Haddad e Rui Costa estariam nesta disputa interna pela unção do morubixaba. O Estadão trouxe um editorial informando que o PT passa a ter problemas no seu reduto fiel, o Nordeste. A pesquisa do Genial\Quaest indica uma aproximação perigosa, já dentro da margem de erro, entre os números que aprovam o governo e os números que desaprovam o Governo na região, o que, no jargão estatístico é conhecido como a boca do jacaré que está se fechando. 

Charge! Jaguar via Folha de São Paulo.

 


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Editorial: Tem cuco no ninho tucano.



Como diria o locutor Sílvio Luiz, de olho no lance para não perder nenhum detalhe da jogada. Como já havíamos conversado antes sobre o assunto, a política pernambucana encontra-se em plena ebulição. Há quem diga que o prefeito João Campos poderia esperar um pouco mais, antes de se projetar como candidato efetivo ao Governo do Estado nas eleições de 2026, mas a carruagem já foi posta nas ruas, motivada, inclusive, por questões partidárias, onde os socialistas locais já projetam consolidar sua hegemonia nacional sobre o PSB, bem como habilitá-lo ao Palácio do Campo das Princesas. Não há mais como recuar. 

O filho do ex-governador Eduardo Campos, já participa de encontros partidários por todo o estado, recebe adesões de prefeitos, é contemplado com o título cidadão em diversos municípios, por iniciativa de prefeitos que pretendem apoiar o seu projeto político. Uma das mais festejadas adesão foi a da prefeito de Serra Talhada, Márcia Conrado, uma liderança política de peso da região do Sertão do Pajeú. Ontem tomamos conhecimento sobre uma eventual intervenção da direção nacional tucana no diretório estadual de Pernambuco, o que provocou uma revoada de tucanos ligados à governadora Raquel Lyra. Possivelmente eles migrarão para o PSD, mas, em princípio, embora tenha deixado o ninho tucano, era objetivo da governadora manter controle sobre o diretório regional do partido no estado, quem sabe sobre o controle de sua vice, Priscila Krause. 

O Presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto, deve ficar com o controle da legenda no estado. Porto é ligado ao prefeito João Campos. Por outro lado, comenta-se sobre a possibilidade de uma fusão, a nível nacional, entre o PSDB e o Podemos, que integra a base de sustentação da governadora Raquel Lyra, ampliando a complexidade da equação política a ser resolvida. Rodrigo Pinheiro, prefeito de Caruaru, aliado da governadora, filiado ao PSDB, já informou que está deixando a legenda, no que se sugere que deve ser acompanhado por outros membros da legenda com afinidades com a governadora. Sob o signo do partido da governadora, o PSDB foi um dos grêmios políticos que mais cresceram no estado. Rodrigo Pinheiro foi eleito e reeleito pelo PSDB. Tem cuco no ninho tucano.  

Editorial: Uma pesquisa para ficar na mesa de Lula.



O Planalto tem assumido uma postura de ignorar ou se contrapor aos humores das ruas, do mercado e de alguns institutos de pesquisa sobre a avaliação do Governo Lula 3. Todos estariam enviesados por posições ideológicas ou torcida contra o desempenho do Governo. Uma pesquisa realizada entre os formadores de opinião do mercado financeiro recentemente foi tratada com desdém, quando não ridicularizada, pois, segundo uma autoridade do Governo, sequer se tratou de uma pesquisa, a começar pela amostragem e pelo perfil do público pesquisado, apenas investidores do mercado. A pesquisa não poderia ser completamente ignorada, embora procedam os argumentos apresentados. Até comentamos por aqui que seria uma pesquisa de opinião, realizada entre integrantes da Mancha Verde, onde se perguntava o que eles achavam do Corinthians.  

No caso da avaliação do Governo Lula 3, talvez nem possamos inserir aqui alguma espécie de jogo de interesse subjacente, uma vez que absolutamente todos os institutos convergem para a constatação da queda acentuada da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste terceiro mandato. Do Paraná Pesquisas ao Datafolha, passando pelo Quaest\ Genial. E, por falar na última pesquisa do Quaest\Genial, que veio a público no último dia 02,  aqui temos uma pesquisa que deve ficar sobre a mesa do presidente para ser discutida com seus assessores mais próximos e staff de comunicação. A razão, neste caso, é que o instituto fez uma autópsia onde ficou evidente a gravidade da doença,  a ineficácia dos medicamentos administrados, assim como as perspectivas nada otimistas sobre a recuperação do paciente. 

O instituto fez um esmiuçamento da situação, que não só comprovou a queda de popularidade, como disse porque isso esta ocorrendo, em que estratos sociais o derretimento é mais acentuado, assim como as regiões onde a erosão se acentua. Lula está perdendo apoio em sua base tradicional de apoio, ou seja, entre os menos escolarizados, de renda não superior aos dois salários mínimos, e, ao que se sugere, também nordestinos. Num outro dia comentamos sobre o tal desmoronamento de popularidade em estados como a Bahia, que deu 76% dos votos ao presidente Lula nas eleições de 2022. A situação é sensivelmente preocupante, uma vez que a lógica de investimentos pesados em marketing ou publicidade institucional, aliada a programas ou linhas de créditos populares - de cunho eleitoreiro - não estão dando certo ou, na melhor das hipóteses,  ainda não estão dando certo. 

Lula se fechou em copas em torno de um núcleo petista mais autênticos, que está ditando das diretrizes das políticas públicas hoje no Governo. Ajuste fiscal ou controle dos gastos públicos soa como água benta atirada contra os possuídos. Manter sob controle o monstro da inflação que atormenta os brasileiros, assim como enfrentar estruturalmente o problema da segurança pública, hoje os dois problemas que mais atormentam os eleitores, deveria ser a prioridade do Governo, caso deseje chegar em outubro de 2026 em condições de competitividade. Até recentemente, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve em Pernambuco. Padilha tem uma preocupação em zerar a fila do SUS. Vocês conseguem imaginar a repercussão positiva que este fato poderia projetar entre os eleitores? 

Charge! Laerte via Folha de São Paulo.

 


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Charge! Kleber Sales via Correio Braziliense.

 


Editorial: Lula: A sangria de popularidade que não estanca.



Há alguns meses assumiu a Secretaria de Comunicação Institucional da Presidência da República, a SECOM, o marqueteiro baiano Sidônio Palmeira. Sidônio assumiu com a missão de reverter, segundo ele mesmo admitiu, graves problemas de comunicação do Governo Lula 3, que não era um governo ruim, mas precisa convencer a população sobre este assunto. Um pouco antes, o encontro nacional da legenda já havia feito o diagnóstico do problema de popularidade do Governo Lula 3: a comunicação. Já havíamos advertido por aqui que não se tratava apenas de um problema de comunicação, mas sugere-se que Sidônio Palmeira estava realmente convencido disso.  

Disposto a revolver o problema, a ordem passou a ser exposições sistemáticas na mídia, inclusive do presidente Lula que, durante este processo, acabou cometendo alguns deslizes verbais que não ajudaram muito nesta estratégia. Até recentemente, a SECOM realizou um encontro com os assessores de comunicação de estatais, ministérios e outros órgãos do governo. Objetivo? Consolidar tal estratégia de exposição junto a mídia, ocupando mais espaço, concedendo mais entrevistas. Por incrível que possa parecer, somente no dia de ontem, li vários pronunciamentos da Ministra do Planejamento, Simone Tebet, o que quer dizer, em princípio, que o receituário está sendo seguido. 

Por outro lado, nos escaninhos, existe a possibilidade de setores do MDB estarem preparando uma alternativa presidencial às eleições de 2026. Os arranjos políticos deste partido passam, necessariamente, por São Paulo, e, naturalmente, pela decisão de Tarcísio de Freitas em candidatar-se a mais quatro anos no Palácio Bandeirantes ou pegar o cavalo selado que as hostes conservadoras estão lhe oferecendo, numa tentativa de alçá-lo ao Planalto ainda em 2026. O apoio do governador, que ainda está filiado ao Republicanos, ao projeto de reeleição do prefeito Ricardo Nunes, condicionava o apoio do MDB a um eventual projeto de candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas. 

Desde então, porém, a estratégia adotada não está produzindo os resultados tão esperados. O Governo Lula 3 bate em teclas antigas, com programas sociais de corte populista, eivados de possíveis irregularidades - conforme reportagem da grande mídia conservadora. O resultado não poderia ser outro. A sangria de perda de popularidade não foi estancada. Saiu hoje, dia 2, uma pesquisa do Instituto Quaest Genial, apontando que seus índices de desaprovação aumentaram. A desaprovação passou de 49% para 56%, enquanto a aprovação caiu de 47% para 41%. E esta pesquisa não foi realizada pelo mundo corporativo, numa mesa de bar, com apenas cem amigos. O Instituto Quaest ouviu 2.004 eleitores em 12o municípios, entre os dias 27 e 31 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o índice de confiabilidade de 95%.  

Editorial: A pressão da oposição sobre Hugo Motta.

Crédito da Foto: Breno Carvalho\O Globo. 


O deputado Hugo Motta foi eleito com relativa facilidade para a Presidência da Câmara Federal, a partir de compromissos assumidos com a oposição. Sem alternativas, o Governo Lula também apoiou o nome do deputado, mas sabe-se das fragilidades dessa base de apoio do Governo. A apreciação do Projeto de Lei da Anistia estava entre os acordos costurados pela oposição com o atual presidente da Câmara. Assumido o posto, Hugo Motta, naturalmente, abriu o diálogo com outros atores sobre o assunto e deve ter percebido que não há consenso em torno deste assunto. O Executivo não deseja que o projeto siga adiante, assim como o STF já afirmou, em consulta, que se trata de matéria constitucional e anistia não está prevista na Constituição. 

Isso significa dizer que, caso o PL seja aprovado na Câmara Federal, corre o risco de ser revogado pelo STF. Mal voltou de viagem do Japão, Hugo Motta passou a sofre uma pressão cerrada da oposição. Com habilidade, ele ganha tempo ouvindo as partes para reposicionar-se em torno do assunto, afinal campanha é campanha e governo é governo. A mobilização da oposição envolve obstrução da pauta, articulação interna e manifestações de rua, a exemplo desta que deverá ocorrer agora no dia 06, na Avenida Paulista. Eles estão esgotando todas as possibilidades possíveis no campo das negociações possíveis. Caso Hugo Motta não paute o PL, a oposição irá radicalizar e obstruir os trabalhos na Casa. 

Pelo andar da carruagem política, o que deve ocorrer é que, diante da pressão da oposição, Hugo Motta deve pautar o PL, que deverá ser aprovado, transferindo para o Judiciário o ônus de sua revogação. Está muito difícil a construção de algum consenso mínimo entre oposição e governo neste país. Seja qual for o desfecho dessa cabo de guerra, o que se antecipa, na realidade, é a ampliação das animosidades entre os Três Poderes da República.  

terça-feira, 1 de abril de 2025

Editorial: Tarcísio de Freitas é o nome do campo de direita às eleições presidenciais de 2026.



Praticamente todos os dias surgem pesquisas novas sobre a popularidade de Lula - ainda em queda livre - assim como sua performance quando comparado a outros nomes que poderão disputar as eleições presidenciais de 2026. A última delas é a do Instituto Paraná Pesquisas, que aponta vantagem do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sua esposa, Michelle Bolsonaro , sobre Lula, no distrito federal. Se preparando para pacificar o PT e habilitar-se a uma candidatura a deputado federal nas próximas eleições de 2026 - algo que já preocupa alguns setores do PT, que acredita que tal candidatura poderia não ajudar uma eventual disputa de Lula à reeleição - José Dirceu tem se exposto um pouco mais e, hoje, há uma matéria onde ele afirma a necessidade de organizar as forças do campo progressista e faz um diagnóstico: o governador Tarcísio de Freitas é o nome do campo conservador para as eleições de 2026. 

Em tese, a direita está bem melhor representada neste sentido. Há, na realidade, excesso e não falta de alternativas. Jair Bolsonaro ainda não entregou os pontos em relação ao assunto; Ronaldo Caiado lança sua pré-candidatura no próximo dia 04, em evento na Bahia; Ratinho Junior já convocou uma reunião com o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro para tratar das eleições de 2026. Ratinho Júnior tem sido estimulado pelo seu partido, o PSD. Nem precisamos informar por aqui sobre as imensas dificuldades políticas e jurídicas de viabilizar o nome de Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026. Neste sentido, é compreensível que esteja ocorrendo tal movimentação dessas placas tectônicas entre os conservadores. Movimento que, aliás, procura construir uma plataforma política mais moderada, sem o radicalismo identificado com o bolsonarismo raiz. É curiosa essa tendência, observada inclusive no PL. 

O governador Tarcísio de Freitas tem se pronunciado de forma mais "natural" sobre uma eventual candidatura presidencial ainda em 2026. Dias desses, talvez num ato falho, um dos seus partidários lançou o nome do atual Presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, do PL,  ao Governo do Estado em 2026. É como se ele já soubesse que Tarcísio de Freitas não disputaria a reeleição. A centrífuga conservadora mói em torno de sua candidatura e isso é como cavalo selado. Em 2030 as nuvens são outras, como advertia a raposa mineira Magalhães Pinto. 

 

Editorial: Descalabro com a educação. Um espectro pavoroso no país.


Na semana passada produzimos um editorial aqui neste blog sobre uma matéria do jornal O Estado de São Paulo, onde era abordada uma eventual decisão do INEP, órgão executivo do Ministério da Educação, indicando que a sua direção havia deliberado não divulgar os dados do SAEB relativos ao segundo ano do fundamental, dado crucial para se aferir a quantas andam o nosso processo de alfabetização na idade certa, a pedra angular da educação básica, esteio onde se sustenta as outras fases do processo educacional. Um problema aqui será sentido em todas as fases seguintes de aprendizagem do aluno. Existem algumas atitudes que não se coadunam com um governo de perfil progressista, como é o caso do Governo Lula 3, identificado e compromissado com a educação dos jovens no país. A matéria foi muito bem elaborada pelo jornal paulista, conforme enfatizamos naquele momento. Assumimos um posicionamento equidistante, uma vez que havia os argumentos dos gestores do órgão, inclusive sobre indicadores aferidos através de outro expediente que não unicamente o SAEB. 

O jornal, no entanto, voltou a tratar deste assunto no dia de hoje, argumentando que o diretor do órgão fora alertado acerca do equívoco na omissão de não divulgar esses números. Mas, afora essa questão, que está se tornando grave, uma olhada sobre o quadro da educação no país neste momento não nos permitem muito otimismo em torno do assunto. Vejo as informações do estado vizinho, na Paraíba, onde órgãos de controle e fiscalização encontram irregularidades graves em número expressivo de creches vistoriadas; aqui em Pernambuco, o problema de uma licitação controversa em relação à contratação de merendeiras, envolvendo vultosa quantia de recursos públicos, algo denunciado por uma das empresas que participaram do processo licitatório; Não fosse isso suficiente, há ainda um processo licitatório nebuloso de aquisição de livros  sob suspeita de superfaturamento, barrado pelo TCE. 

Com as contas públicas em frangalhos, cobertor curto, o Governo Lula 3 deveria, na realidade, sanear as contas públicas, racionalizar os recursos, criar as condições ideais para evitar a volta da inflação e, no final, investir em políticas públicas estruturadoras, voltadas para áreas como educação, segurança pública, saúde. Existem alguns gargalos aqui, como o fantasma da inflação e o grave problema de segurança pública que, se não forem enfrentados corajosamente, arruínam qualquer projeto de continuar como inquilino do Alvorada. A receita do bolo, no entanto, ainda é aquela da vovó, envelhecida, superada, de décadas atrás, com ingredientes que hoje sequer existem no mercado. 

Charge! Benett via Folha de São Paulo.

 


Charge! Quinho via Estado de Minas.

 


Editorial: Estadão aponta irregularidades com o programa Pé-de-Meia.


Possivelmente marca dos programas sociais do Governo Lula 3, o Pé-de-Meia nasce sob o signo das irregularidades, o que não seria algo muito alvissareiro. O Governo tentou implementar o programa sem lastro previsto no orçamento, o que produziu uma série de inconvenientes, que poderiam ser traduzidos como pedaladas fiscais. O parlamento e órgãos de fiscalização e controle do Estado, a exemplo, do TCU apontaram os problemas. Agora, por ocasião de apreciação do orçamento pelo Legislativo, teria sido feito aqueles arranjos tira daqui coloca-se ali apenas para ajustar os recursos do programa. O país se caracteriza por dados que não são muito precisos, assim como por esperteza de agentes públicos e privados no sentido de auferirem vantagens pessoais com recursos públicos. 

É o país das malandragens, do jeitinho, do por fora. Ouso dizer que não há nenhum programa social completamente blindado em relação a essas espertezas. Pentes finos são passados em relação ao Bolsa Família com frequência, cujo Ministério do Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar teria criado até um grupo de inteligência apenas com o propósito de identificar tais irregularidades entre os beneficiários do programa. Outro dia estourou o escândalo dos recursos do programa que estariam sendo destinados às jogatinas. Depois de muito estardalhaço em torno do assunto, chegou-se a conclusão óbvia de que o Estado não poderia ter um controle sobre o assunto. Isso depende da consciência do beneficiário que, não raro, como bom brasileiro, também gosta do jogo do bicho ou do tigrinho. De preferência onde seja servido um cafezinho, daí o drama do preço do produto nas alturas. 

Com o Minha Casa Minha Vida também já foram constatados fatos escabrosos, de agentes públicos envolvidos com créditos concedidos a pessoas que não se enquadravam nos requisitos exigidos. Recentemente a Polícia Federal desvendou um esquema milionário aqui no estado de Pernambuco, onde um servidor do INSS fazia empréstimo irregulares em nome de segurados. Agora se sabe, por exemplo, sobre aqueles descontos de empréstimos que os beneficiários alegavam não haviam realizados. O servidor era de Garanhuns e já foi afastado de suas funções. A reportagem do Estadão alcançou grande repercussão, mas, assim como a matéria da Folha, já repercutida aqui, onde trata-se de dados que não foram divulgados pelo MEC sobre avaliação do SAEB, devem ser lidas com a devida cautela. 

A matéria aponta para a distorção entre o número de beneficiários e o número de estudantes  de ensino médio existentes em algumas cidades do país, principalmente na Bahia e no Pará. Haveria casos também de pessoas beneficiárias cujas condições de renda são incompatíveis, ou seja, não atendem aos requisitos. Isso nos fez lembrar de alguns anos atrás, quando ainda se pagavam as contas nas lotéricas e estávamos na fila para pagarmos os boletos do mês, quando entrou um rapaz jovem, com uma prancha de surf nas mãos, de olhos azuis, típico surfista de classe média, de posse de um cartão do bolsa família para efetivar o saque e pegar uma onda. Nunca esquecemos do episódio e, não raro,  o invocávamos durante as nossas aulas, principalmente quando discutíamos algum texto do antropólogo Roberto DaMatta, que tentou entender porque o Brasil é o Brasil.